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BARCELONAS, MARATONAS E OUTRAS PARANGONAS - 3 27/08/2011

AINDA O BARCELONA 2011

 

Não reza a história que o Barcelona realizado antes do final da campanha tenha proporcionado melhores resultados, tendo em conta o contexto nacional.

 

Sendo uma prova facultativa carece sempre de alguns cuidados por parte das Associações, e essa sensibilidade deve ser ainda maior quando se verifica a antecipação. Deixando de lado as questões associadas à logística, os tais peanuts para comentadores, dou apenas importância à quantidade de inscrições, e elas que poderão sair beneficiadas se determinados pormenores forem acautelados. Com poucos pombos e columbófilos a participar, o êxito de um concurso está sempre condicionado. Duas coisas a reter, uma complexa e outra simples:

 

            - O calendário deve ser feito tendo em conta a data estabelecida para o Barcelona. Uma coisa é fazer um calendário e depois acrescentar a palavra Barcelona ao lado de uma data, outra coisa é começar por colocar o Barcelona no papel e depois construir o resto do calendário a partir daí, tendo sempre em conta o que é melhor para ambos, para a campanha e para o concurso. Esta é a tal que envolve complexidade, mas tenho umas ideias de como se consegue;

 

- O concurso deve constar – mesmo com a menção de prova facultativa – do calendário que é distribuído aos concorrentes e colectividades. É que, os columbófilos, totalmente focados nos campeonatos vão mirando o papel à medida que a campanha decorre, e não estando mencionado, só voltam a ouvir falar em Barcelona quando chega o comunicado da FPC anunciando a abertura das inscrições. Entretanto ele surge numa altura em que todos os meios estão alocados ao objectivo principal – os campeonatos da colectividade – e como sabemos o nosso modelo competitivo baseia-se no campeonato geral, e assim continuará pelos menos enquanto aqueles que aparentemente mais beneficiariam com as especialidades, continuarem a demonstrar que as não querem. Por outro lado, mesmo já arredados dos primeiros lugares dos campeonatos das suas colectividades – como é habitual estarem nessa altura - a generalidade dos columbófilos não consegue mentalizar-se para participar numa prova extra-campeonato, argumentando sempre que necessita dos pombos para o resto da campanha desportiva.

 

A forma como a campanha desportiva está a decorrer ao nível de perdas de pombos é sempre um factor preponderante na maior ou menor adesão dos columbófilos a uma prova de longa distância e facultativa. A influência das condições meteorológicas é algo que transcende a capacidade e competência das organizações, mas, na minha perspectiva, os efeitos de uma época mais rigorosa são mais visíveis pela negativa nas inscrições do Barcelona de Junho, do que seriam se ele tivesse lugar no final da campanha.

 

Prefiro, pois, um Barcelona a rematar a competição mas um em Junho é sempre melhor do que nenhum. Nove em cada dez columbófilos do meu distrito, passam bem sem tal concurso, e porventura metade desses, nem sequer dele querem ouvir falar. Todos tem as suas razões e o direito a que sejam respeitadas.

 

A  jusante do Barcelona foi instituído o Campeonato Nacional Maratona. Algumas pessoas chegaram a pensar que o mais novo poderia potenciar a “velha” Clássica Nacional, bastando para tal que, independentemente da altura do ano em que se realizasse, o Barcelona funcionasse como prova obrigatória.  Mais uma vez a pressão das “assimetrias” terá prevalecido e… pena é que noutras situações os mesmos as façam de tapete, tal a velocidez com que por elas passam, que nem as sentem.

 

Luis Silva – 27/Ago/2011