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EXPOSIÇÕES 2 – PRESTÍGIO OU PENITÊNCIA ? 15/01/2023

É já no próximo fim de semana que se realiza a exposição nacional em Torres Novas. Vivemos desde Anadia 2020 um interregno provocado pela pandemia e por isso quem gosta e costuma frequentar estes eventos, aguarda com natural expectativa para visitar o buliçoso espaço onde se misturarão pessoas, stands e pombos. A história conta-nos que os pombos irão ter no recinto um destaque proporcional à sensibilidade de quem organiza. Cá, e também lá fora, são as empresas expositoras que proporcionam a parte mais volumosa das receitas destes certames. Cá, como lá fora, temos visto mais vezes do que gostaríamos os objectivos de âmbito financeiro a ditar as regras, e nesse contexto os atletas perdem protagonismo. Cá, muito mais do que lá fora, o interesse imediato dos visitantes que praticam a modalidade, vai preferencialmente para as tendas dos consumíveis em detrimento dos atletas com asas. Enfim, quase tudo contra a visibilidade que é devida àqueles que ali estão por mérito próprio, porque conseguiram algo importante, porque possuem atributos específicos, porque são verdadeiros pombos de corrida.

Ter pombos em competição numa exposição nacional é para quem quer, ou para quem pode ? Ter pombos numa exposição nacional é prestigiante ou apenas representa um monte de incómodos aos seus proprietários ?

Com mais ou menos evidência relativamente à restante ocupação, irão estar no Palácio dos Desportos de Torres Novas duas classes distintas de pombos, a Standard e a Sport. Foquemo-nos para já na classe Sport, aquela que está mais acessível a todos os pombos que competem nas corridas portuguesas, e questionemos então se estar numa exposição nacional confere prestígio ao dono do atleta, e por inerência à sua colectividade e à sua associação, ou se afinal representa um conjunto de inconvenientes mais parecido a um castigo do que a um prémio.

Comecemos por lembrar que os pombos presentes na exposição nacional integram as selecções distritais, e para tal tiveram de participar na exposição distrital da associação a que pertencem. Desde logo, ao preparar a sua exposição, cada associação encarou-a como algo importante no seu calendário de eventos. Verificou da disponibilidade de alguma das suas filiadas para uma co-organização e, sendo o caso, trabalhou com ela na escolha de data – dentro das estabelecidas pela FPC – de local e de eventuais apoios autárquicos e não só. Depois, e com a antecedência adequada, tratou de apurar os melhores pombos existentes no distrito, tarefa que, mesmo com recurso às ferramentas informáticas disponíveis, implica sempre o dispêndio de muitas horas face à necessidade de suprir a incapacidade dessas ferramentas quando estamos num distrito em que existem variadas competições susceptíveis de optimizar os coeficientes de cada atleta. Seguiram-se os contactos com os proprietários desses pombos informando-os de que possuem um ou mais pombos com condições para competir na exposição distrital e depois, mais em cima do acontecimento, lembrar o local o dia e hora da entrega, não fosse acontecer algum esquecimento ou desatenção. Alguns dos que nunca haviam participado numa exposição mostraram-se renitentes ou desconfiados e é necessário explicar, tintim por tintim, que os pombos Sport não são manipulados pelos juízes, que a estadia na exposição não é prejudicial à forma dos pombos, que pode, se assim pretender, ser ele mesmo a colocar o pombo na gaiola e a retirá-lo pelas próprias mãos no fim da exposição.

Como se vê, até à entrega do pombo o columbófilo não teve, por assim dizer, que fazer o que quer que seja. Já quem organiza a exposição distrital teve de tratar da regulamentação, programa e divulgação, prémios, convites a entidades, assegurar toda a logística necessária desde a preparação e decoração do local, transporte e montagem de gaiolas e de todo o material e equipamentos específicos da exposição, equipas de serviço para recepção, segurança dos pombos, alimentação de pombos e pessoas ao serviço, disponibilização de materiais de apoio ao staff e juízes classificadores, e por aí fora. As pessoas que integram a organização acumularam entretanto várias horas de trabalho e diversas deslocações em viatura própria sem reembolso de gastos, e ainda por cima, poderão não possuir sequer um pombo nos seus pombais que tenha merecido a convocatória para estar presente. Não meus caros, perante estes factos, não me parece razoável que o proprietário do pombo se considere com direito a compensação pelos gastos que teve para comparecer na exposição com o seu pombo.

A seguir vamos a outros alegados prejuízos.

Luis Silva

15/Jan/2023