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Como interpretar as previsões do IM (Port) e INM (Esp) bem como outras previsões na Internet nas soltas de pombos-correio. 04/08/2012

 

 

Mais uma campanha se avizinha. Em termos de chefias nada se cumpriu do prometido. Reuniões foram muitas no entanto não houve melhoras nenhumas. Até nas classificações para os campeonatos se optou por voltar a fazer o que já foi feito. Cada vez somos menos, não por culpa directa de quem dirige mas, na sua grande maioria, pela conjectura económica. No orçamento para 2011 contínua prevista uma prova Ibérica (5.500 Euros). Lembro-me de uma passagem do plano de actividade de 2010 em que se dizia que temos que nos unir porque não era tempo de mandar homens ao mar. Lá isso é verdade mas também não é tempo de mandar pombos ao mar, como foi a prova de Minilla, só para apoiar a difícil relação entre a Real Federação Espanhola e as restantes Federações Regionais de Espanha. Ainda hoje se estima em menos de 10% de pombos chegados. Desgraçado estava o coordenador de um distrito em que isto acontecesse. Mas como foi a FPC e os pombos foram de borla, deixa andar! Em 2011 haverá mais.

Vamos nós fazer o que ainda não foi feito. Temos que olhar por nós porque de cima nem bom vento nem bom casamento. Com esse sentimento vamos deixar de esperar que alguém resolva o que nós queremos, vamos deixar de estar num pedestal de lamentações e passar a defender os pombos e a columbofilia. Com esse intuito e como tem sido apanágio de todos os meus artigos vamos mais uma vez dar apoio ao inicio da campanha, desta vez de 2011, para que possamos minimizar acidentes ou incidentes em columbofilia. Assim sendo vamos analisar e interpretar as informações meteorológicas.

   Os Institutos de Meteorologia Nacionais, são organismos com competência para a emissão de avisos e alertas nos seus territórios e cuja missão é assegurar às populações, actividades económicas e entidades públicas a informação meteorológica ajustada às suas necessidades através da prossecução das políticas nacionais naqueles domínios.

As previsões meteorológicas a que temos acesso são, de um modo geral, efectuadas para um fenómeno meteorológico relevante. Vamos supor que existem condições meteorológicas para a existência de aguaceiros e trovoadas: O meteorologista coloca no quadro da previsão esse símbolo. Ora todos sabemos que nas situações de instabilidade típica entre Abril e Julho esse fenómeno ocorre normalmente depois das 13 horas locais. O mesmo acontece com a previsão da temperatura máxima e temperatura mínima que ocorrem respectivamente perto das 15 e 6 horas solares.

Quanto às previsões colocadas na Internet, oriundas de entidades não oficiais, estas estão de um modo geral desfasadas no tempo, sofrendo do mesmo “defeito”, para com as soltas de pombos-correio que as dos Institutos de meteorologia nacionais, com a agravante de que são elaboradas de forma automática sem supervisão humana nem conhecimento quer da climatologia quer da orografia do local.

Existem, no entanto “sites” profissionais que mantêm as previsões actualizadas tendo que haver alguma contrapartida monetária. Como exemplo o site do “Windguru” apresenta previsões horárias com elevado grau de fiabilidade a quem tem contrato com esta empresa.

A ligação da previsão às soltas de pombos-correio, passa necessariamente pelo conhecimento de como está o tempo (observação) e por saber como irá evoluir durante o dia (previsão).

Deste modo só com base neste conhecimento se poderá ter a certeza científica de que estão e estarão reunidas as condições para que os pombos regressem a casa. Mesmo nestas circunstâncias torna-se bastante difícil a coordenação de uma solta porque não sabendo como é que os pombos se orientam não podemos saber o que efectivamente o prejudica na sua orientação. Os elementos meteorológicos e o modo como afectam o voo, é do nosso conhecimento e mesmo assim somos por vezes surpreendidos com a gravidade ou a facilidade com que os pombos superam determinadas condições meteorológicas.

        Quando o trabalho de casa foi feito, ou seja: se estudou e preparou a solta acompanhando as previsões meteorológicas ao longo da semana e se criou ou minimizou as condições nefastas ao transporte dos pombos, será relativamente fácil efectuar a ordem de solta ou o cancelamento desta.

Como já se viu as previsões meteorológicas, de um modo geral, são difundidas com símbolos aos quais associamos determinadas condições meteorológicas sendo sempre o factor relevante (vento, chuva, trovoadas, nevoeiro etc..) que se irá verificar nesse dia, aquele que será colocado.

        Vamos supor que num determinado dia a previsão aponta para nevoeiro ou neblina matinal. Neste caso teremos que conjugar a hora da solta, o vento previsto e a temperatura máxima ou outro elemento meteorológico que seja significativo depois do fenómeno anterior para podermos efectuar a solta com segurança. Porque, por vezes, ao minimizarmos um problema estamos a entrar dentro de outro e porventura mais prejudicial.

        Outro exemplo. As previsões apontam para chuva no dia da solta em Portugal continental. Durante a madrugada da solta teremos que verificar a direcção e a intensidade do vento para efectuar uma estimativa da média dos pombos e saber da hora aproximada do início da precipitação prevista para podermos conjugar com a possível hora de chegada. Porque o dar-se na previsão chuva para um determinado dia não quer dizer que esta venha a ocorrer durante a prova. A média horária de um pombo-correio de corrida sem vento é, normalmente de 70 a 80Km por hora. Se o vento é favorável aumenta a velocidade assim como se for contra a diminuirá.

 

Interpretação Radar

Os radares meteorológicos são de especial importância para as provas de velocidade e meio fundo curto. Quanto ao meio fundo longo, fundo grande fundo teremos que ter em conta as previsões meteorológicas e conjugar essa informação. Não é tarefa fácil em especial em situações de instabilidade. Sabe-se que o fenómeno vai acontecer, mas, por vezes, o local exacto e a intensidade é uma incógnita porque estamos a trabalhar com variáveis matemáticas e factores locais que podem, em determinados momentos, uma ou outra, assumir crucial importância.

Saliente-se que em situações de instabilidade se verificou que o factor principal do sucesso da solta foi as boas condições nos primeiros 100 quilómetros da prova. O mesmo não aconteceu com situações associadas a superfícies frontais frias de fraca actividade.