José Carlos Almeida Rosa

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MANUEL AZEVEDO SILVA - BI-CAMPEÃO DISTRITAL FUNDO ACD BRAGA 02-03-2011
MANUEL AZEVEDO SILVA - VN Famalicão
Bi-Campeão Distrital Fundo ACD Braga
 
Manuel Azevedo Silva vestiu a camisola amarela do Distrital de Fundo 2010 no segundo concurso desta especialidade e nunca mais a largou. Encestou para o último concurso - Minglanilla (625 kms) - o melhor que tinha, fazendo mesmo aquilo que não costuma fazer, ou seja enviar os melhores pombos de velocidade e meio-fundo e até alguns borrachos, o 1º, 2º, e 3º da colectividade.
 
A prova revelou-se muito difícil, mas… "quando vi o borracho por cima daqueles montes, arrepiei-me todo, sabia que o título estava praticamente ganho".
 
 Constatou o atleta de 2009 às 18:24:51 e tudo se confirmou um minuto depois, ao constatar o seu segundo às 18:25:57.
 
Tinha acabado de conquistar o seu segundo título distrital de fundo. Notável, tendo em conta a sua idade.
   
Joaquim Silva, seu pai, iniciou-se como columbófilo nos anos 70, mas desistiu por motivos profissionais, embora mantivesse alguns pombos no pombal existente nas traseiras do seu café. Manuel Silva, chegava da escola, pegava numa cadeira e colocava-a junto à janela do pombal para poder ver os pombos. A partir do momento em que conseguiu abrir a porta do pombal, soltava-os para os ver voar. O seu pai apercebeu-se da paixão do filho pelos pombos e construiu pombais com o intuito de reiniciar a competição. 1990 foi a sua primeira Campanha, encestava então na SC Famalicão, as boas marcações começaram a surgir em 1997 e em 1999 sagrou-se Campeão Distrital de Fundo e a partir daí... "difícilmente alguém me ganha"...
 
Actualmente a colónia é orientada pelo pai que trata dos pombos da parte da manhã, o amigo Roberto Silva, ajuda em várias tarefas, nomeadamente em treinos e no encestamento da segunda equipa realizado na SC Ruilhe, mas o cérebro da equipa é o Manuel Azevedo Silva, um columbófilo da nova geração, atento ao mais pequeno pormenor, atento às linhas de pombos que se estão a destacar, enfim atento a tudo o que possa colocar a sua colónia um pouco mais à frente da concorrência.
 
Conforme já foi referido, Manuel Silva é um columbófilo que dá atenção ao mais pequeno pormenor, como por exemplo, comedouros e bebedouros sempre no mesmo sítio, ao milímetro. Dentro do pombal, não é permitido falar, atender telemóvel, ou efectuar gestos bruscos, por outras palavras, evita ao máximo qualquer situação que possa iniciar um estado de stresse aos pombos.
 
Em sua opinião, o pombo deve sentir-se bem no pombal, deve ter vontade de a ele regressar e, quando o faz, tem de ter a certeza que encontra água e comida no local habitual... "Observem ! Se por qualquer motivo os pombos entram e o bebedouro não está lá, eles não saem do local habitual, começam a ficar stressados".
 
Ainda sobre esta problemática, Manuel Silva quis referir um erro que cometeu nos seus primeiros anos de columbófilo. Nessa altura, o seu pombal tinha apenas três secções. As marcações eram boas e como o seu grande objectivo era o Distrital de Fundo, pensou... "se com estes marco bem, se aumentar o número de pombos marcarei melhor". Puro erro, mais pombos nas mesmas instalações só conduziu a marcações mais fracas. Foi então que decidiu construir um prolongamento do pombal (2004), mais duas secções, mas mesmo assim, os bons resultados demoraram a aparecer. É por esta razão que não gosta de ensinar os seus métodos, pois o que resulta numa colónia pode não resultar na do vizinho. Em sua opinião, para que um método resulte, o columbófilo tem que ser perspicaz para construir, ou adaptar um método, tendo em conta vários factores, como sejam os próprios pombos, a alimentação, o pombal e sua temperatura interior, etc...
 
Origens da Colónia
Das linhas que lhe deram o primeiro título de Campeão Distrital de Fundo em 1999 já não tem nada, à excepção de uma Janssen de 94 adquirida pelo pai e que se revelou boa reprodutora. Uma filha dela, a "412", é ainda melhor do que a mãe.
 
Em 1999 adquiriu alguns pombos a Fernando Valente, quando este estava no auge e essa linha cruzada com a da "412" dá pombos fora de série para Velocidade e Meio-Fundo.
 
Mais tarde, introduziu os "Montanheses" do Zé Mário e de Os Silvas.
 
Para Fundo, tudo se baseia no "Lilás" do Sarmento, de Ribeirão, adquirido em borracho quando este acabou com os pombos.
 
De referir ainda que em 2004, o Rebelo deixou a columbófilia... "para além de adversário, era um amigo, o único que me fazia frente aqui em VN Famalicão. A totalidade da sua reprodução veio para minha casa e entre eles destaco a "Baia do Teixeira" e o "Azul do Cardoso".
 
Manuel Silva é de opinião de que é quando se marca bem que se deve introduzir regularmente pombos de boas linhas... "é uma grande ajuda pois quando me desloco ao pombal deste ou aquele columbófilo, para além de ver os pombos, vejo os seus pombais, a maneira como estão organizados, são muitas informações que poderemos recolher e que nos vão melhorar como columbófilos. Nem é preciso falarmos sobre isso, temos é que ser perspicazes e saber observar. Em columbófilia estamos sempre a aprender".
 
Dia a Dia
Desde há dois anos que viaja apenas com fêmeas, jogando-as na viuvez de poleiro e isto por uma questão de falta de tempo... "com os machos era uma hora a voar e duas horas para entrarem, assim com as fêmeas, elas voam, entram rápido e em cinco minutos está tudo pronto".
 
O pai é que trata dos pombos da parte da manhã, dá o voo e a alimentação. De referir que só voam uma vez por dia por um período de 60 minutos, de 3ª a 5ª feira. Na 6ª feira voam apenas 40 minutos. São efectuadas três soltas, borrachos, voadores de velocidade e meio-fundo e finalmente os fundistas. De referir que estas equipas são organizadas apenas pelas suas origens.
 
Não acasala no início de Campanha, apenas têm contacto com os machos na chegada dos concursos (nos treinos, até ao final do dia). Salientamos que os machos  encontram-se num pombal a 500 metros de distância.
 
Os adultos participam nos treinos do GC Tirsense que têm início a 5 de Janeiro, enquanto que os borrachos são submetidos a treinos particulares com soltas progressivas de 5 em 5 kms. Normalmente efectua 7 a 8 treinos antes de passar o Rio Douro.
 
Quisemos sabar a razão de todos estes cuidados com os borrachos... "tem que ser devagarinho, porque se não tivermos cuidado perdem-se muitos, especialmente quando faz frio. Encesto os adultos para o GC Tirsense, vou levá-los, chego a casa encesto os borrachos e de manhã levo-os. Se o tempo estiver bom solto-os, caso contrário trago-os embora".
 
Como o pombal só tem uma secção de entrada (ninhos), os borrachos chegam e vão para os ninhos, comem e vão para a sua secção uma hora antes das adultas chegarem. Quando estas regressam, ficam juntas aos machos durante uma hora, este período depende da dureza do concurso.
 
Começa a soltá-las à volta do pombal a 15 de Dezembro, voos progressivos uma vez que fazem a muda presos e isto porque... "para além de evitarmos problemas com ataques de gatos e aves de rapina, os pombos ganham mais gordura e por conseguinte a qualidade da plumagem é muito melhor. As penas crescem mais sedosas, parecem veludo, os pombos até escorregam nas mãos". Os únicos que vêm cá fora são os borrachos.
 
Iniciou a Campanha 2010 com 222 fêmeas voadoras, sendo 96 adultas para a velocidade e meio-fundo e 75 fundistas, de dois e mais anos.
 
De referir que as fêmeas novas são mantidas em separado até ao final de Março (Dia da Associação), sendo então incluídas nas equipas de adultas.
 
Sobre as voadoras que lhe conquistaram o título distrital, Manuel Azevedo Silva disse-nos... "era uma equipa já seleccionada com voadoras de 2006, 2007 e 2008. No ano anterior não conquistei o título porque falhou-me o segundo pombo em dois concursos, ou seja a equipa já estava a dar sinais de que poderia bater-se pelo título".
 
A equipa de longa distância voa os concursos normais, mas a partir do primeiro fundo só voam essa especialidade, nas semanas de interregno é submetida a um treino em linha de 30/35 kms e isto porque... "o ritmo de voo de um treino em linha é muito diferente do que é realizado à volta do pombal e isso é importante para as atletas".
 
Um outro pormenor a que dá muita atenção é a secção da recuperação/enfermaria onde coloca qualquer pombo que regresse mais atrasado do concurso. Desta forma recupero-os sem correr o risco de prejudicar a saúde e ritmos de voo dos restantes atletas.
 
Nesta colónia, são utilizados três lotes de ração, todos eles da Casa Galrão (Depurativa, Sport e Cevada).
 
Recebe os pombos com o lote Sport... "à chegada? Nem pensar em dar depurativa, temos que os recuperar e o lote Sport ajuda imenso".
 
As fundistas comem sempre do lote Sport e à descrição, enquanto que para velocidade e meio-fundo é tudo mais controlado, antes de 6ª feira nunca comem à vontade. Manuel Azevedo Silva tem que gerir muito bem este pormenor, uma vez que não voam à tarde, sendo assim diminiu à quantidade e se vê que ainda pedem mais, geralmente quando faz mais frio, complementa com cevada... "utilizo o método do balão, o objectivo é ir enchendo, enchendo, só atingindo o lilite no final da semana. Sabemos se estamos a proceder bem quando ao sábado de manhã já não têm grande apetite, caso contrário teremos algo a rever. Alimentar é uma arte, não pode haver medidas pré-definidas. O columbófilo tem que ter olho, perspicácia".
 
O método que utiliza é ir servindo a ração, parando quando vê que estão satisfeitas. Não sobra nada, mas não permite que encham o papo, com excepção de 6ª feira à tarde.
 
Voar com fêmeas não está ao alcance de todos, pois tudo se complica quando a temperatura sobe e algumas começam a tentar acasalar-se, em tais casos o columbófilo tem que agir rápido, pois de um momento para o outro pode perder o controlo da equipa. Manuel Azevedo Silva sabe disso e ao mínimo sinal, transfere as que se acasalam para o pombal de fundo, as que começam a "chamar" são colocadas em cestos depois de voarem e comerem com as restantes.
 
Opiniões
Colónia e Títulos
"Como não voo com machos, retiro os filhos dos melhores casais para a reprodução e assim vou segurando a linha que possuo, pois não corro o risco de os perder nos concursos, por isso digo, se dantes era difícil alguém me ganhar, agora com a colónia que tenho é complicado mesmo. Dificilmente alguém me ganha. Estou pronto para o terceiro título distrital de fundo, estou confiante para 2011, mas prefiro esperar pelo primeiro concurso desta especialidade para aferir as possibilidades, pois como todos sabem é nos primeiros três concursos que se ganha o Fundo Distrital, nos três finais só se tem de segurar".
 
Sequelas de 2010
"O título deixou sequelas, perdi cinco atletas fora de série, uma delas ia à frente do Concelhio. É um facto que perdi bons pombos, mas outros revelaram-se como foi o caso dos três que me asseguraram o título... a Malhada, a 95 e a Pigarça".
 
Maus resultados
"O columbófilo tem que ser bom. Há colónias com pombos excelentes e mesmo assim não marcam nada. Por outro lado, nunca ouvi um columbófilo dizer que as más marcações são culpa sua, os culpados são sempre os pombos, o pombal, etc...".
 
Não há jovens
"Não há muitos jovens a praticar columbófilia por vários motivos, entre os quais destaco... praticar columbófilia é cada vez mais caro, para marcar bem demora algum tempo, tem que se ter amigos que nos informem de como tratar uma colónia e para além de tudo é preciso perspicácia e isso nem tdos têm. Actualmente o que acontece, face aos custos que envolvem a prática da modalidade, as pessoas ou reduzem ao número de pombos ou acabam de vez. Penso que se queremos aumentar o número de praticantes temos que, por um lado tornar a prática da modalidade mais barata e, por outro, proporcionar mais informação sobre o nosso desporto".
 
Palmarés
Para além dos dois títulos de Campeão Distrital de Fundo ACD Braga, a colónia de Manuel Azevedo Silva já conquistou o Geral em Famalicão, Famalicense, Joane, São Cosme e Ruilhe.
 
Em 2010, foi Campeão de Fundo do Campeonato Concelhio de VN Famalicão, GC Ninense, SC Ruilhe e ACD Braga (G2), Campeão Absoluto SC Ruilhe, Vice-Campeão Nacional de Meio-Fundo e 3º no Nacional de Fundo.
 
A nível de pombos
GC Ninense (32 concorrentes) - 1º, 2º, 3º Geral, 1º Fundo, 1º, 2º, 3º Pombos de Ano
 
SC Ruilhe (29 concorrentes) - 2º Geral, 1º Meio-Fundo, 1º, 2º, 3º Fundo
 
ACD Braga (G2) - 1º, 3º Geral, 1º Fundo
 
Concelhio de VN Famalicão - 1º Geral
 
Ao nível de primeiros prémios
GC Ninense - 4x1º, 2x2º, 4x3º
 
SC Ruilhe - 5x1º, 7x2º, 6x3º
 
Localização priviligiada
"Na altura em que marcava mal, ninguém dizia que o meu pombal estava bem localizado".
 
Agradecimentos
A terminar, Manuel Azevedo Silva, não quis deixar passar esta oportunidade para agradecer... "ao meu pai, a Roberto Silva, ao Avelino Carpinteiro, ao Zé Mário pela cedência da linha dos "Montanheses" e ao Jornal "Mundo Columbófilo" pela divulgação que faz da modalidade".
 
MARCAÇÕES NO DISTRITAL DE FUNDO
(dois primeiros pombos)
 
Montellano I (553 kms), 03 Abril 2010
8773 pombos em competição ... 24º e 42º
 
Montellano II (553 kms), 17 Abril 2010
8302 pombos em competição ... 13º e 25º
 
Baza I (661 kms), 01 Maio 2010
8018 pombos em competição ... 5º e 24º
 
Baza II (661 kms), 15 Maio 2010
6985 pombos em competição ... 57º e 70º
 
Alcoy (751 kms), 29 Maio 2010
5142 pombos em competição ... 78º e 201º
 
Minglanilla (625 kms), 12 Junho 2010
4607 pombos em competição ... 39º e 40º