José Carlos Almeida Rosa

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CORREIA & TERRA - BI-CAMPEÕES DISTRITAIS DE FUNDO (ACD AVEIRO) 11-01-2012

CORREIA & TERRA (SM FEIRA)

BI-CAMPEÕES DISTRITAIS DE FUNDO ACD AVEIRO

António Correia e Manuel Terra na sua Sala de Troféus

“Em 2011 fizemos o impossível”, disse-nos António Correia e Manuel Terra acrescentou… “Estávamos de olho no Campeonato Distrital de Fundo – confirmo, estávamos bem preparados com pombos de velocidade e meio-fundo para discutir o Geral na colectividade – confirmo. Agora, tendo em conta de que estamos numa das extremidades da Zona, reconheço que ficamos surpreendidos por termos conseguido conquistar os títulos distritais de Velocidade, Meio-Fundo e Combinado na Zona 3, uma das mais competitivas do distrito de Aveiro”.

Luis e Gustavo Moura foram recebidos por esta dupla de columbófilos na sua sala de troféus e foi aí que António Correia nos mostrou as conquistas de 2011, aquelas que considera de impossível… 6 títulos na SCRC Travanca, 3 títulos na SC Sande, Salgueiral e Cimo de Vila, 1 título concelhio e 6 títulos distritais, entre os quais se destacam o de Fundo, Combinado Zona 3 e Super Sport Fundo… impossível? Só se for de repetir !!!

Esta sociedade de columbófilos constituída por António Correia e Manuel Terra foi formada em 2004 sob o lema "Paixão e Ambição a Caminho da Perfeição" e o referido caminho não se iniciou de forma pacífica. De facto, Manuel Terra quis conhecer a colónia e... "Perguntei ao Correia quais eram os seus melhores pombos. Respondeu-me que era o do Fonseca, o do Manel e o do Chico. Disse-lhe, se esses são os melhores, temos de eliminar os reprodutores todos. Queria-me "matar" !!!.

Depois de muita reflexão e com o decorrer do tempo, tais pombos acabaram por sair do pombal. Retiraram da colónia várias dezenas de exmplares porque chegaram à conclusão que... "não era com aquele tipo de pombos que conseguiríamos os resultados ambicionados".

Após esta rigorosa selecção, ficaram com 50 adultos e 80 pombos novos e nesse mesmo ano sagraram-se campeões com equipas distintas em Cimo de Vila e Travanca. Manuel Terra seguiu uma teoria de Albino Pépura, um dos seus mestres, que dizia... "com a canalha, nunca ninguém ganhou, mas também nunca perdeu". Por falar em mestres, não esquece a importância de Jorge Almeida (Pardal), António Gomes Carvalho e Os Silvas.

A colónia foi sendo seleccionada e conquistaram o título distrital de fundo da ACD Aveiro em 2007. Depois deste feito, concentraram em consanguinidade as linhas de fundo existentes e deu-se uma viragem nas linhas cultivadas e introduziram na colónia pombos de... Os Silvas (Romário, Hércules, Maurice Matthews, Pretos), António Gomes Carvalho - Vilar do Andorinho (Puterie, Roucos, Pigarços x Herbots), Joaquim Augusto Carneiro e Louella Pigeon World (Gaby), entre outros.

2011, o ano do impossível

A Campanha 2011 teve o seu início no final da de 2010 em que, após o último concurso, efectuaram a habitual selecção e acasalaram os voadores restantes. De referir que a selcção é muito rigorosa, apenas pombos de pontos em Velocidade e Meio-Fundo transitam, assim como pombos do ano das linhagens de fundo com prestações razoáveis nos treinos e concursos. Têm mais fêmeas, pois nos concursos de Fundo apostam mais nelas. A colónia é sempre constituída por 40/50 machos e 90/110 fêmeas. Recorrem a machos dos reprodutores para completarem os 52 ninhos.

Os casais são formados no intuito de serem testados como reprodutores. Alguns deles são por compensação, por exemplo, a uma fêmea com grande vontade de regresso e carácter, juntam um macho com muita força e potência e vice-versa, no sentido de potenciar algumas características... "umas vezes somos felizes, outras nem por isso".

Permitem uma postura, sendo que da segunda só aproveitam de um ou outro casal e são tirados pelos reprodutores. Retiram as fêmeas e fica apenas um borracho em cada casulo e são os machos que os acabam de criar. Quando começam a comer sozinhos são separados e a colónia entra no período da grande muda. Este período é passado com os pombos presos, ou seja, desde que termina a Campanha, os adultos nunca mais saem do pombal, isto para evitar problemas de mal de asa e os ataques das aves de rapina. A excepção são os borrachos que durante o Verão e Outono são soltos diariamente nas últimas duas horas de sol.

Os primeiros voos são efectuados no início de Dezembro. Não são forçados porque... "um erro que muitos columbófilos cometem é forçar o voo para que os seus pombos percam peso. Não se deve contrariar a natureza, quando os pombos sentem vontade de voar dão-nos sinal, o columbófilo deve estar atento a este facto. Enquanto as últimas rémiges não estiverem completamente desenvolvidas eles não querem voar. Quando já estão no comprimento certo, começam a bater as asas, sinal de que já estão prontos para sair do pombal sem problemas e quando isso acontece vão rapidamente ao peso certo".

Não soltam à sorte, têm o cuidado de todo e qualquer pombo mais pesado/corpulento ser acompanhado de forma mais atenta, isto quer dizer que nesta primeira fase só são soltos na fase final do voo dos restantes atletas.

Desde borrachos que os voadores são habituados a que, quando estão fora do pombal é para voar, não lhes sendo permitido qualquer outro tipo de recreio que origina vícios, tais como pousar nos telhados, nos fios ou árvores.

Os voos diários começam a ser ministrados a ritmo certo a meio de Novembro para os borrachos e depois do Natal aos adultos. Não gostam de os forçar mais cedo porque assim conseguem mantê-los em forma até ao final da Campanha, o que não aconteceria se fossem puxados desde o início de Dezembro. Necessitam de duas atrês semanas para os levar ao ritmo de voo pretendido.

Começam por voar em dois períodos de 30 minutos e no início da Campanha já estão a voar entre 40 a 70 minutos, duas vezes por dia. Regra geral, os tempos de voo são os seguintes, do primeiro ao último concurso... Domingo - concurso; 2ª feira - de manhã não voam, à tarde 40/45 minutos e depois 50/60 minutos; 6ª feira - de manhã 70 minutos, à tarde não voam porque servem glucose durante toda a jornada e se os soltassem à tarde corriam o risco de fazerem o concurso à volta do pombal. Na opinião de Manuel Terra... "é assim em todos os desportos, ganha quem tiver o treino mais adequado".

Importante é separar os voadores que, por esta ou aquela razão, não conseguem acompanhar o ritmo de voo dos restantes. Para não os prejudicar, ou não os soltam ou fazem-no apenas nos últimos minutos do mesmo.

As fêmeas estão em dois pombais separados e voam quase sempre juntas, como o bando delas é muito grande, não soltam o pombal dos borrachos fêmeas quando está mau tempo.

Perguntamos porque razão alguns columbófilos se queixam que os seus pombos voam mal e não se afastam do pombal ? António Correia foi peremptório... "É a fome, dão dietas até 4ª ou 5ª feira e os pombos não têm resistência para voar. Nós aqui damo-lhes trabalho, mas também damos de comer. Nos concursos vê-se a diferença, mandamos 30 a fundo e recebemos 28 ou 29, enquanto outros dos mesmos 30 recebem 12 ou 13".

Iniciaram a Campanha 2011 com 76 adultos e 70 borrachos, encestando a equipa de opção distrital em Travanca da Feira (30), a segunda equipa em Cimo de Vila (30) e os restantes foram sempre a treino. A segunda equipa serve apenas para rodar as fundistas e descobrir borrachos de ano para enviar na equipa A.

Os voadores são acasalados em Janeiro e se possível nas mesmas combinações do final da época. Permitem um choco de 10/11 dias a contar dos primeiros ovos e depois separam... "quem pôs, pôs, quem não pôs paciência".

Quadro de Reprodutores

É composto por 15 machos e 25 fêmas. Por opção, não são voadores, são colocados em borrachos. Apenas uma minoria foi enviada a concurso e transitam para o pombal dos reprodutores ainda jovens para garantir a continuidade das linhagens. A média de idades está abaixo dos 5 anos, sendo que essa média nas fêmeas é mais baixa. No primeiro ano, no mínimo, são efectuadas duas combinações e no ano seguinte da mesma forma. Ficam assim com uma ideia precisa dos pombos enquanto são jovens. Apenas ficam no quadro aqueles cujos descendentes obtiverem classificações de destaque. Cruzam os pombos de Velocidade com Velocidade, de Meio-Fundo com Meio-Fundo e entre si. Os pombos de Fundo são cruzados entre si para propósitos de competição. Raramente aparece um "neutro", aquele que cruzado com um pombo das diversas especialidades dá pombos de excelência na especialidade de origem do seu par.

   

Selecção de pombos

A primeira selcção é efectuada pelos sinais de vitalidade e pelos atributos físicos até aos 3 meses de idade. O cesto serve para seleccionar os que sendo equilibrados, "chegam a horas", têm motivação, sentido de orientação e bom desempenho dos seus órgãos vitais. Acreditam que pontualmente um pombo desiquilibrado possa ser um bom voador, mas invarialvelmente um excelente voador é um pombo que impressiona em mãos. Seguem a regra e desvalorizam a excepção.

Treinos em linha

Antes da Campanha efectuam quatro treinos em linha enviando todos os efectivos. São efectuados em dias consecutivos, normalmente na semana que antecede o primeiro encestamento no camião da Associação. O primeiro treino é de Penela (95 Kms). A linha de voo é para o interior do distrito (IC3), no eixo Penela-Abrantes e fazem-no porque... "como o nosso pombal está posicionado na zona noroeste do distrito e na ponta de baixo do bloco de solta, é extremamente importante habituá-los a fazerem as diagonais nesse eixo para atempadamente saírem dos bandos. Soltamos de treino na zona de Penela porque queremos habituar os nossos pombos a voar em altitude (400/700 metros) e em zonas montanhosas".

Ainda nesta vertente, os fundistas, na sua maioria fêmeas, que a partir do primeiro concurso de fundo só participam nessa especialidade, no fim-de-semana de interregno são levados a Mangualde (interior/leste) para daí serem soltos. Quem leva os pombos a treino é Manuel Terra que quando chega ao local de solta aguarda no mínimo duas horas para que os pombos se adaptem à pressão atmosférica em altitude. Também participam neste treino os borrachos de linhas fundistas, pois como diz o ditado - de pequenino é que se torce o pepino.

Alimentação + Previsões Meteorológicas

A preparação de cada concurso, assim como a composição da equipa depende muito das previsões meteorológicas e Manuel Terra leva este pormenor muito a sério. Consulta "uma dúzia de sites, uns generalistas, outros mais direccionados para humidade, outros nos ventos, mapas de superfície... retirando daí algumas leituras intuitivas sobre o tempo que irá fazer... "de 2ª a 6ª feira ninguém pode estar à beira deste homem. Está sempre a comentar que o tempo vai estar assim, o vento vai estar dali, a humidade vai estar assado", disse-nos António Correia.

Perguntamos a Manuel Terra se é assim ? Riu-se e como é sua caraterística, foi ao pormenor e o pormenor é uma autêntica lição de columbófilia, vamos a ela ? ... "Sempre que os pombos saem de casa, seja treino particular, da colectividade ou concurso, são efectuados registos da ordem de chegada, tipo de chegada = isolados ou em bando, temperatura, humidade, direcção e intensidade do vento, velocidade média. Passado um, dois ou três anos, temos plena consciência quais são os pombos que marcam bem com médias altas, médias, baixas, com calor, com frio, etc. e isso são indicações fundamentais para a escolha da equipa a encestar. Não vale a pena enviar um pombo que só sobressai com médias de 1500 m/minuto para uma prova que se prevê lenta. Já sei que tal pombo vinha, mas não para prémios de relevo e iria desgastar-se, sendo assim preferimos poupá-lo, voa apenas um treino, sendo assim encestado mais folgado a um concurso com características que lhe são favoráveis".

Então não têm pombos que voam as 12 provas (6 V + 6 MF) na equipa principal ? Perguntamos.

Manuel Terra continuou... "A nossa equipa principal é como uma equipa de futebol, o FC Porto, por exemplo, tem jogadores que jogam sempre, o caso do Hulk, João Moutinho, Helton e depois há outros que vão entrando. Com a nossa equipa acontece o mesmo, temos um núcleo de 12/15 pombos que fazem as 12 provas e depois preenchemos com pombos com as características desejadas para o tipo de prova previsto. Damos prioridade ao campeonato de columbófilo, sendo que mesmo assim vamos coleccionando umas anilhas por especialidades e Geral".

Nesta colónia são utilizados três lotes de ração, sendo que nenhum deles é de dieta ou depurativa. Rgra geral, as quantidades servidas por refeição são de 18 a 22 gramas no caso das fêmeas e entre 20 a 24 gramas para os machos. Se sentem que ainda querem mais, entretêm-nos com cevada. A excepção ocorre na tarde da véspera do encestamento em que alimentam de forma mais generosa. No sábado de manhã, servem a ração à hora habitual, do lote sport, retirando a ervilha, ervilhaca, feverol e acrescentando sementes que retenham a humidade.

Preferem alimentar sempre bem do que dar e tirar aos pombos, como faz a maioria dos columbófilos... "isso tem influência negativa no metabolismo do pombo. Imaginem que vocês uns dias comiam, nos outros passavam fome e assim sucessivamente. De certeza absoluta que não andariam bem dispostos", disse-nos Manuel Terra.

A quantidade mantém-se, variam as sementes adicionais em função das previsões meteorológicas para o dia do concurso, temperatura, vento e distância. O método alimentar que nos foi descrito intrigou-nos e perguntamos... Alimentando sempre ração grossa, como é possível marcarem bem em concursos com médias de 900/1000 e nos de 1500 metros por minutos ?

"Como atrás referenciei, temos registos das performances de cada pombo em função das condições que influenciam o voo, por outro fomos seleccionando pombos com determinadas características, a nossa linha de pombos que se adapta bem a médias altas quase que não come, podem ter o comedouro cheio que dão  três ou quatro depenicadelas e vão para o poleiro. Ora, onde eu quero chegar é ao seguinte, a maioria dos columbófilos procura marcar bem nos vários tipos de concurso mexendo na composição da ração, nós, pelo contrário, servimos sempre a mesma ração e procuramos marcar bem encestando pombos que se adaptem à singularidade de cada tipo de voo de regresso ao pombal".

Ainda sobre esta problemática António Correia e Manuel Terra deram-nos um exemplo que ocorreu no terceiro concurso de 2011. Durante a semana estava um frio de rachar, vento de nordeste, os pombos queriam comer este mundo e o outro, mas contra a vontade de António Correia, Manuel terra manteve o plano alimentar porque "sabia" que no fim-de-semana a temperatura iria subir cerca de 12º e o vento iria estar favorável. Resultado, a maioria dos columbófilos esteve horas à espera dos seus pombos, Correia & Terra tiveram um grupo compacto e fizeram uma fita de sonho, passando para a liderança na colectividade... os tais pormenores que fazem a diferença !!!

Tratamentos

De 15 de Novembro a 15 de Fevereiro de cada ano fazem tratamento rigoroso a toda a colónia, reprodutores, borrachos e voadores, ou seja, vermes, salmonelas, tricomonas, coccidiose e vias respiratórias. Durante a Campanha controlam as tricomonas (comprimido) ao 6º/7º e 11º/12º concurso. Para as vias respiratórias, de 15 em 15 dias, sempre com dois princípios activos em conjunto, mas nunca na semana que antecede o encestamento para a longa distância.

Rotinas

Nesta colónia dá-se valor às rotinas, como não se mexe na alimentação, procuram outras formas de fazerem sentir aos pombos que o encestamento se aproxima. As principais são...

***Voos diários sempre à mesma hora, sendo que os machos são sempre os primeiros a ir para o ar***

***Banho para as fêmeas à 4ª feira e manhã do dia de encestamento para os machos***

***Aplicam uma gota desinfectante nas narinas na 6ª feira, à noite***

Fundistas

Os atletas fundistas têm um tratamento especial na semana que antecede a prova. Se as previsões apontarem para tempo frio, servem um suplemento de milho. Uma vez definida a equipa, pegam neles todos os dias porque gostam de administrar suplementos em forma de comprimidos, mais concretamente cálcio e vitamina B e aproveitam para lhes dar mais um pouco de ração. Os restantes apenas comem a dose habitual.

Campanha 2011

Sobre os excepcionais resultados obtidos na Campanha a opinião dos campeões foi...

António Correia... "Louco como sou pelos pombos, não tenho palavras para descrever o que fizemos. Apenas lhe posso dizer que fizemos o impossível".

Manuel Terra... "Em 2007 fomos campeões distritais de fundo com 2400 pontos perdidos, em 2010 ficamos em terceiros com 1800 pontos perdidos, um número que dava para ganhar nos anos anteriores, mas este ano perdemos apenas 1300 pontos, o que é um facto assinalável num distrito que envia, em média, 17.000 pombos a fundo. Perseguíamos o Distrital de Fundo até porque ambos somos admiradores  desta especialidade e estamos orgulhosos por pertencer ao grupo de columbófilos mais restrito do distrito de Aveiro, ou seja o dos Bi-Campeões Distritais de Fundo".

Correia & Terra

 

O tradicional corte do Bolo de Campeões

A mesa dos Campeões Correia & Terra que em 2011... fizeram o impossível !!!

Os melhores fundistas distritais em 2011

2614/04 - linhas Putterie + Fabry.

Este macho é um dos pilares da equipa de Fundo. Entrou directo para o quadro de reprodutores. Pai, avô e bisavô de vários pombos a pontuar em Fundo.

A Pigarça 363/08
Filha do Piçarço Campeão de 2003, Anilha de ouro de M/fundo no Bloco 1 da ACD Porto e várias anilhas na colectividade.
Mãe do F16 716/09 Anilha de Ouro Geral e Prata de Velocidade em 2011 na SCRC Travanca
Irmã do 504/09 anilha de Ouro de Velocidade em 2011 no Bloco 1 da ACD Porto.
Irmã do 304/09 5º Melhor Pombo da Maratona 2011.
Irmã do 719/07 Anilha de Ouro Geral e Velocidade 2009 ARCSS Cimo de Vila
Tia da 113/10 Anilha de Bronze Borrachos 2011 SRCC Travanca

Vários 1º prémios, dezenas de pombos a fazer pontos em todas as especialidades provenientes desta linha de pombos.

O 719/07 foi o primeiro filho do casal a fazer resultados de vulto ainda em borracho, desde 2009 que os irmãos e sobrinhos têm contribuído para os êxitos alcançados no pombal de António Gomes Carvalho - Vilar do Andorinho V. N de Gaia e no nosso.

Azul 867/07 - Super Consanguínea do Kleinen de Gaby Vandanabelle. 

Os seus filhos vieram ajudar a resolver algumas lacunas em Velocidade e Meio/Fundo, nas médias dos 1300 aos 1500 m/m.

Azul 560/2007

(criado para a reprodução), Irmão legitimo da 410/2007 que foi anilha de ouro de Velocidade na colectividade e anilha de prata na Zona 1 de Velocidade.

 

ANTÓNIO CORREIA

Apesar da sua família não ter tradições columbófilas, António Correia cresceu rodeado de amigos com grande paixão pelo pombo-correio. Lembra-se que com 10 anos de idade ia conjuntamente com os seus companheiros assistir aos encestamentos da colectividade de Travanca, em Santa Maria da Feira. Aos 14 anos construiu pombal com meia dúzia de tábuas e pediu aos columbófilos um pombo. Na altura não tinha dinheiro para enviar a concurso e os amigos dispensavam um ou dois pombos dos seus para que pudesse enviar. Fazia-o apenas pelo gozo de os ver chegar, pois não competia, nem relógio-constatador tinha.

Interrompeu a prática da modalidade quando começou a namorar, casou-se em 1975 e em 1977 construiu pombal, fez colónia e recomeçou a competir. Nessa fase, os melhores resultados foram obtidos na longa distância. Em 1983 e por motivos profissionais teve de interromper mais uma vez. Por vezes, a roleta da vida prega-nos boas partidas, e ao António Correia, uns anos após ter abandonado a columbófilia, aconteceu-lhe que uma pomba lhe apareceu no pátio de sua casa. Meteu-a numa gaiola e pediu um macho a um amigo. Desse casal tirou vários borrachos e o "vício" ressurgiu.

Levou o casal para um terreno onde tinha uns galináceos e disse à sua esposa... "vou construir um barraquito lá no terreno para me entreter com as pombas, sinto necessidade de aliviar o stress do trabalho". A esposa concordou. Alguns dias depois, chega ao terreno e vê lá dois molhos de telhas e umas vigotas... "quem é que veio descarregar este material sem minha ordem". pensou. Chegou a casa e perguntou à esposa se sabia de alguma coisa, ela respondeu... "Sim marido, isso é uma prenda minha para fazeres o pombal !!!".

E assim em 1998 efectuou a sua primeira Campanha desta nova fase. Ao segundo ano sagrou-se campeão e o gosto pelos pombos e pelo desporto columbófilo foi aumentando cada vez mais. Em 2001, os resultados começaram em queda, até que travou conhecimento com Manuel Terra e... "andava à procura de alguém que me ajudasse a elevar o valor competitivo da colónia, andava à procura do "Mourinho da columbófilia. Nos inícios de 2004 sondei o Manuel Terra que acabou por aceitar a criação da sociedade".

António Correia

 

MANUEL TERRA

Manuel Terra é um columbófilo que acredita que o sucesso columbófilo depende da forma como se enfrenta e lida com os pequenos pormenores. Por vezes, a diferença entre o sucesso e o insucesso é o resultado de um e apenas um pormenor mal conduzido. É um processo em que todos os elementos têm que ser controlados e os desvios analisados e corrigidos. Por isso, selecção de pombos, saúde, alimentação, instalações, método e planeamento da época são cuidadosamnete tratados.

António Correia define-o como o "Mourinho" da columbófilia, o que não temos dúvidas é que Manuel Terra eleva a condução de uma colónia a um patamar único na columbófilia nacional e mesmo internacional... estamos perante um mestre que por certo ainda iremos ouvir falar muitas vezes dele...

A aprendizagem columbófila de Manuel Terra iniciou-se em 1969, com 10 anos de idade, por intermédio de Manuel Esteves, seu tio de Travanca - Oliveira de Azeméis, que lhe ensinou o básico da condução de uma colónia. Entretanto começou a ajudar o seu vizinho Valter Marques, nomeadamente na solta dos pombos para o treino diário. Os bons resultados apareceram muito rapidamente.

Mais tarde, já no Liceu, fez amizade com vários filhos de columbófilos... Arlindo Almeida, Emídio Silva, Luís de Bustelo, João Guimarães, António Pépura e Paulo Alegria, então docente naquele estabelecimento. Nos intervalos conversavam muito de pombos e quando havia um "furo" iam para o estabelecimento do Albino Pépura ver os pombos. Nessa altura, frequentavam o local o Carlos Aguiar Costa e o João Gaspar... "foi aí que comecei a ter uma noção mais pormenorizada de como funcionava o mundo dos pombos", disse-nos Manuel Terra. "Tive a sorte de conversar e manusear muitos pombos na presença das referências do distrito na época, como por exemplo : Jorge Almeida (Pardal), Rufino Gomes de Oliveira, Carlos Aguiar Costa e Albino Pereira da Costa (Pépura). Eles pegavam nos voadores e reprodutores, faziam os seus comentários. Eu ouvia e quando tinha oportunidade pegava nos mesmos pombos e procurava ver aquilo de que tinham estado a comentar. Em mãos, os pombos excelentes assentavam como uma luva".

À excepção de um curto período de tempo, 1984 em Oliveira de Azeméis, Manuel Terra nunca teve pombal próprio. Considera que a columbófilia é o tranquilizante para desanuviar das vicissitudes do dia-a-dia.

Em 1982, a sua actividade profissional levou-o para Ovar, para onde se deslocalizou em 1988. Entre 1985 e 1089 matou o "vício" com o seu amigo de infância Mário Jorge, de Ul-Oliveira de Azeméis. Entre 1990 e 1993 deu uma ajuda ao Virgílio Gomes, de Ovar. Em 1985, inicia uma sociedade com António Marques "Casas", construíram pombal e colónia, tendo obtido bons resultados... Vice-Campeões Distritais de Fundo (1996), Campeões em Ovar (2000) e Campeões em Travanca (2003). A sociedade terminou no final da Campanha 2003 uma vez que Manuel Terra enfrentava uma reestruturação na Multinacional onde trabalhava. Em finais de 2003. começou a frequentar uma acção profissional no Porto, donde regressava por volta das 14 horas e ia almoçar ao café-restaurante de António Correia, o resto é história... o "Mourinho" que este tanto procurava entrou-lhe pela casa dentro !!!