José Carlos Almeida Rosa

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DANIEL CASTRO "LELO" - CAMPEÃO DISTRITAL DE FUNDO ACD PORTO 2011 11-05-2012

DANIEL CASTRO ``LELO´´ . AVINTES

CAMPEÃO DISTRITAL FUNDO ACD PORTO 2011

Ao contrário da opinião de Mário Rui, Daniel Castro quanto mais olha para a entrada, mais se convence que é demasiado pequena… “elas empurram-se umas às outras”

Avintes, uma vila com grandes tradições columbófilas, conquistou em 2011 o seu segundo título distrital de fundo. O primeiro a subir ao lugar mais alto do pódio foi Edmundo Vitelo, mas com a particularidade de nesse ano não ter encestado numa colectividade da vila, os seus pombos participaram na SC Mafamude. Daniel Castro, foi o primeiro avintense a conquistar o título distrital de fundo a encestar numa das duas colectividades de Avintes, mais precisamente no Núcleo Columbófilo Avintense (fundado em 1926 – nif – 5).

Esta colónia é conduzida por Daniel Castro, de 83 anos, e seu filho Mário Rui, de 46 anos. Dois columbófilos que se complementam na perfeição. Daniel Castro gosta dos pombos-correio, deixando a competição para segundo plano, é ele quem trata diariamente da colónia, dá o voo e a alimentação. Mário Rui acompanha mais de perto a colónia desde 2006, elabora o plano de condução da mesma, tanto em termos de voo, como de alimentação e suplementos alimentares. Daniel Castro não concorda com tudo aquilo que o Mário Rui define, mas… “sou rigoroso naquilo que faço, cumpro fielmente a missão que me foi incumbida”.

Quisemos saber a opinião de ambos sobre este importante título. Daniel Castro foi peremptório… “Seja no que for, toda a gente gosta de ganhar, o resto é conversa. Como avintense, é bom, por aquilo que dizem. Desconfio que alguns avintenses estão mais satisfeitos do que eu”. Esta resposta define bem a sua postura enquanto columbófilo, a competição não lhe diz muito, aquilo que mais aprecia são as chegadas, os voos espectaculares dos seus atletas em direcção ao pombal. É esta a principal razão pela qual encestam pombos em duas colectividades, de dois blocos diferentes, pois assim prolongam o espectáculo que o pai tanto gosta.

“O título distrital de fundo apareceu por acaso”, disse-nos Mário Rui, “nós não temos tradição nesta especialidade”. E foi mais longe… “Há três anos a esta parte aumentamos a quantidade de pombos para apostarmos mais no fundo com a intenção de melhorar no Geral, o nosso principal objectivo, pois é um campeonato que apreciamos e gostaríamos de o conquistar”. Quisemos saber a partir de que altura se aperceberam que o título estava ao seu alcance… “As coisas começaram bem logo de início. Ao terceiro concurso de fundo apercebemo-nos que estávamos em 14º do distrito. O que realmente era impensável porque em 2010 tínhamos ficado em 156º. O quarto concurso (Alcoy), correu muito bem. Passamos para 3º. A partir desse momento, a dois concursos do fim, estávamos na luta. Tudo poderia acontecer. No penúltimo passamos para 1º e seguramos no último concurso”.

Ao analisarmos os mapas, verificamos que não tiveram pombos que se destacassem na longa distância…“houve uma preocupação de não sobrecarregar os fundistas, nenhum deles voou os seis concursos. Um fez cinco provas e vários quatro. Encestamos aos concursos de fundo cerca de 50 pombos e o título deve-se a 10 que fizeram os 12 prémios. Tivemos pombos que só marcaram um prémio em toda a Campanha e esse foi de fundo. Por estas razões, o título deve-se à equipa e a nenhum pombo em particular, só dois é que marcaram duas vezes de fundo. Refiro também que nunca marcamos muitos pombos no mapa (2 x 4 pombos, 3 x 5 pombos e 1 x 8 pombos), mas os poucos prémios obtidos foram bem marcados”.

A história columbófila de Daniel Castro perde-se com a própria história da columbófilia em terras de Avintes. A sua grande paixão sempre foi o futebol, capitaneou a equipa do Futebol Clube de Avintes nos vários escalões. De referir que este clube atingiu a posição mais elevada do seu historial na época de 55/56, com a sua presença nas meias-finais do Campeonato Nacional da 3ª Divisão, sendo apenas eliminado pelo Marinhense ao fim de quatro jogos (6,5 horas de luta). Foi director, tanto no futebol como na columbófilia e actualmente ocupa o cargo de presidente da Assembleia-Geral do NC Avintense. Foi também director de outras colectividades da freguesia, tendo sido dos principais responsáveis pela construção do Infantário Mário Mendes da Costa. Nas suas palavras... "a vida é que me preocupou sempre, só por isso é que isto está aqui" (apontou para a sua casa. "A vida vai correndo e eu procuro adaptar-me às circunstâncias. O meu pensamento era uma vez chegado à velhice ter as pombas para me entreter e não para a competição. O que gosto mais é de as ver chegar". Mas o que Daniel Castro não contava era que o seu filho Mário Rui viesse a interessar-se novamente pela columbófilia após um interregno de 18 anos. A sua reentrada na equipa veio trazer o gosto pela competição e em seis anos conseguiu transformar uma colónia de meio do mapa para uma com alto índice de competitividade. Como o fez, foi aquilo que quisemos saber...

Por uma questão de facilidade optaram por jogar os pombos todos juntos, machos e fêmeas... "é o sistema mais simples de todos, se é o melhor não sabemos, mas temos a certeza que é o mais fácil de praticar". É evidente que há pombos que se acasalam, se isso acontece poderá ser necessário parar uma ou outra fêmea, mas a experiência diz-lhes que os casais controlam-se uns aos outros, o que reduz as galaduras.

O pombal também foi redesenhado para tirar o máximo de rendimento dos atletas neste sistema. Digamos que existe um pombal dentro de outro pombal. O interior é o dos ninhos (33), onde os pombos adultos passam a muda e os atletas são recebidos dos concursos. O exterior, tipo voliére fechada, é onde os borrachos passam a muda e os voadores (adultos + pombos de anos), passam a semana durante a Campanha.

No final da Campanha de 2010, efectuaram o tradicional acasalamento, aproveitando alguns borrachos dos voadores. Depois disso e durante todo o período da muda, foram mantidos fechados no pombal interior, já com os ninhos tapados. Os borrachos usufruem de liberdade e passam o dia e a noite no pombal exterior (voliére).

Em Dezembro, juntaram adultos e novos, um total de 115, e iniciaram os voos de treino à volta do pombal. Primeiro livres e depois controlados até atingirem o ritmo de voo desejado, sendo que por alturas do primeiro treino oficial já estão a voar à 2ª feira - 15 minutos, só à tarde; 3ª a 5ª feira - 45 a 60 minutos, de manhã e de tarde; 6ª feira - 30 minutos, só de manhã.

Não acasalam os pombos na pré-Campanha, apenas os deixaram juntos durante 3 a 4 dias após o regresso do primeiro dos dois treinos oficiais. Depois disso, são recebidos nos ninhos, sendo separados ao fim da tarde ou dia seguinte. Fecha-se o pombal e passam para a voliére, onde permanecem até ao próximo encestamento.

O método de condução da colónia foi construído a partir das recomendações de Edmundo Vitelo e Paulo Silva. Mário Rui fez a "filtragem" e construiu um que no seu ponto de vista melhor se adaptava às características da sua colónia, ou seja, pombos, pombal e seu pai, que ao fim e ao cabo é quem trata diariamente dos atletas. O método foi sendo aperfeiçoado ao longo dos últimos seis anos.

Nesta colónia, são utilizados três lotes de ração, todos da Versele Laga, sendo um de depurativa, um outro rico em hidratos de carbono e um de viuvez. Comem sempre à descição, mas sem excessos. Na chegada, servem depurativa. Com o avançar da semana vão adicionando a esta uma rica em hidratos de carbono. Nos dois últimos dias antes do encestamento, servem apenas a de viuvez. Daniel Castro tem uma medida que leva 250 gramas, o normal é servir 8 medidas por refeição, mas há dias em que serve 7 e outros 9 ou 10. Tudi depende da forma como os pombos comem.

Uma vez que Mário Rui não acompanha da forma que pretendia o dia-a-dia da colónia, as convocatórias são efectuadas tendo por base um registo pormenorizado das performances de cada atleta, assim fazem parte do boletim de encestamento aqueles que mais sobressaem em termos desportivos.

As principais linhas de pombos que cultivam actualmente são as de Edmundo Vitelo e Paulo Silva. De referir ainda uma filha de um casal adquirido no "Mundo Columbófilo", da linha "Barcelona King", da Família Herbots. A selecção de fim de Campanha não é muito severa, pois gostam de dar possibilidades aos atletas de 2, 3 e 4 anos que não marcam na velocidade e meio-fundo, de se mostrarem na longa distância e, por vezes, seja pelas condições atmosféricas ou pura sorte, vêm para ajudar a equipa.

Sobre o futuro da colónia, disseram-nos... "este título em nada alterou a nossa forma de estar na columbófilia, tanto em termos pessoais como desportivos, ou seja, não iremos apostar mais no fundo do que apostamos até aqui. Acima de tudo gostaríamos de conquistar um Geral que nunca ganhamos. É o nosso próximo objectivo!".

De Avintes, saímos com a ideia de que Daniel Castro continuará a apreciar a columbófilia no seu estado mais puro, a do contacto diário com os pombos-correio e o prazer de os ver chegar e Mário Rui continuará a tudo fazer para que estes cheguem mais cedo do que os dos demais columbófilos...

O interior do pombal, o acrílico provoca uma semi-obscuridade ao longo do dia

Daniel Castro… “com a ajuda desta bandeira tenho controlo absoluto no voo dos pombos. Voam aquilo que eu quiser e está estabelecido no programa elaborado semanalmente”


 

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