José Carlos Almeida Rosa

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FAMÍLIA CASTRO - ANTA - GERAÇÃO DE CAMPEÕES !!! 31-01-2008
AUGUSTO CASTRO & FILHO • Anta
Campeão Geral 2006 GC Anta e GC Espinho
Campeão Distrital Meio-Fundo 2007 ACD Aveiro (S1)
 
“Se não existirem os chamados columbófilos pequenos, não serão só os grandes que vão fazer a columbofilia”, disse-nos Augusto Castro a propósito da política que tem tido nestes últimos anos, ou seja encestar três equipas de 30 pombos, incluindo os concursos de fundo. No entanto, com este procedimento, a colónia é muito penalizada no caso de um ou outro concurso ser de dificuldade elevada e, por conseguinte, perderem-se muitos pombos… “estou de acordo que as colectividades evitem a doublagem para assim protegerem os columbófilos da terra, todos sabemos que a maioria dos concorrentes que a praticam vão buscar um número elevado de prémios, no entanto nos concursos de fundo, julgo que deveriam aceitar a doublagem e futuramente só iremos concorrer a colectividades que a aceitem nestas provas”. 
 
Iniciaram a Campanha 2006 com 210 voadores, sendo 130 adultos e 90 pombos de ano. O fatídico dia 28 de Maio também abalou a colónia. De facto, dos 120 pombos encestados, Augusto Castro & Filho receberam apenas oito no dia de solta e perderam a liderança em todas as colectividades em que concorriam.
 
A partir dessa altura, introduziram os pombos de ano que estavam perfeitamente preparados para enfrentar o final da Campanha e fizeram-no com grande qualidade, ao ponto de serem os principais responsáveis pelos títulos conquistados e que foram (equipas diferentes)…

GC Anta - 2006: Campeão Geral, Campeão de Velocidade e Campeão de Meio-Fundo (também Campeão Geral em 2005).
 
SC Guetim - 2006: Vice-Campeão Geral e Campeão de Velocidade (também Campeão Geral em 2003, 2004 e 2005).
GC Espinho - 2006: Campeão Geral, Campeão de Velocidade e Campeão de Meio-Fundo (também Campeão Geral em 2003, 2004 e 2006, 2º em 2005).
 
 Origem da Colónia...
Da Venezuela a Anta
 
Aos 17 anos de idade, Augusto Castro foi trabalhar para a Venezuela e 15 anos depois (1969), altura em que conseguiu reunir as condições para construir pombal, iniciou-se no desporto columbófilo, mais precisamente na União Columbófila da Venezuela, em Caracas.
 
Era uma colectividade com 60/70 coluumbófilos, quase todos eles imigrantes...portugueses, italianos, espanhóis, belgas e alemães.
Inicialmente cultivava pombos oferecidos por amigos locais, mais tarde começou a importar de Portugal, Bélgica, Holanda e Cuba, etc...
 
Na altura vivia-se bem na Venezuela, a moeda era forte e quase todos podiam comprar pombos de boas origens, sem olhar ao preço.
Augusto Castro recorda que a competitividade não era tão forte como actualmente na zona de Espinho, mas a dificuldade dos concursos era muito maior, tanto em distância como do próprio terreno e inimigos naturais - aves de rapina...
"Começava-se a Campanha Desportiva com 100 pombos e acabava-se com 10".
 
1993 foi o último ano em que voou na Venezuela. Nessa altura, decidiu regressar a Portugal e mandou construir um pombal provisório na sua actual residência para trazer os seus 140 reprodutores, pois decidiu oferecer os voadores a amigos venezuelanos..."os que trouxe foram testados e seleccionados em provas de grande dificuldade". As características dos pombos que trouxe permitiram-lhe desde logo destacar-se nas provas de meio-fundo e fundo, mas fraquejava na velocidade.
 
Em 1998, aproveitou o abandono da modalidade de Fernando Maia e comprou-lhe a totalidade da colónia, e desde aí começou a marcar muito melhor nas provas de curta distância.
 
Selecção
 
Conhecidas as bases da actual colónia da Família Castro é necessário seleccionar os melhores para que o nível competitivo se mantenha elevado..."tenho que mandar o meu filho Zé parar, senão ele mata tudo", desabafou Augusto Castro. Ao que José Castro respondeu..."Não me interessam pombos que marquem vários prémios acima do 100º. No máximo eliminamos 40 a 50 pombos no final da Campanha".
 
Mas a selecção não fica por aqui, muito antes, logo em borrachos, José Castro gosta de seleccionar à mão, elimina todos os que  apresentem debilidade física e/ou que se afastem do pombo-padrão que adoptaram, ou seja, de porte médio/pequeno.
 
A selecção também tem lugar no pombal de reprodução. Os 120 reprodutores vão sendo renovados, substituindo os que, por este ou aquele motivo, não aprovaram ou que ainda, dado o elevado número, não tiveram a oportunidade de testar.
 
Com o intuito de preservar a linha, tiram borrachos propositadamente para a reprodução. Os grandes craques ganham o direito à "reforma" no pombal dos reprodutores ainda novos..."há muitos anos atrás "levei" nos olhos. Ia insistindo com os melhores voadores e acabava por perdê-los. Agora não tenho esse problema, quando tenho um craque não hesito em passá-lo para a reprodução, mesmo que esteja a lutar para Pombo Campeão".
 
Sobre os motivos dos bons resultados ao longo dos anos, José Castro disse..."devem-se à procura contínua de novos casais, assim quando um ou outro já é velho e deixa de ser fértil, temos outro de valor idêntico para o substituir".
 
O ano columbófilo
 
Terminada a Campanha Desportiva efectuam tratamentos contra as principais enfermidades que afectam os pombos-correio e acasalam para tirar um borracho dos casais de voadores. Como não efectuam acasalamento na pré-Campanha, acasalam os pombos de ano nessa altura para que ganhem amor ao pombal e casulo. Depois, passam a fase da muda em semi-liberdade.
 
Com o aproximar dos concursos, vão forçando o vôo à volta do pombal. Como não gostam de dar fome aos pombos, estes voam duas vezes por dia, em períodos de 60 minutos, machos e fêmeas (retirando o comedouro quando começam a abandoná-lo).
Utilizam cinco lotes de ração diferentes, todas da Casa dos Cereais - Espinho, que servem conforme as necessidades.
 
Alcançando o ritmo de vôo, efectuam quatro treinos particulares, soltando por sexos, de forma a que quando as fêmeas cheguem, os seus machos já estejam no seu casulo à espera.
Permanecem juntos durante pouco tempo. A ordem de solta por sexos é invertida de vez em quando. Como é lógico, os tempos de vôo vão sendo reduzidos com o avançar da Campanha e, como nos disse Augusto Castro..."na nossa colónia, o tempo de vôo e a quantidade de alimentação, entre outros pormenores, não tem regra fixa, trato dos pombos conforme os vejo".
 
Os pombos de ano, como gostam de dizer, são um investimento. A grande maioria não participa em concursos no seu primeiro ano, mas são submetidos a um exigente programa de treinos para que, a qualquer altura, estejam aptos a entrar na equipa principal, como aconteceu após o 28 de Maio 2006.
 
As suas três equipas são constituídas maioritáriamente por fêmeas. Em Anta, por exemplo, são 27 fêmeas e três machos. A razão ? As fêmeas marcam melhor, talvez seja do sistema praticado, mas como em equipa que ganha não se mexe...
 
O dia a dia da colónia é efectuado pela esposa Deolinda Castro que trata das limpezas duas vezes por dia..."a minha esposa gosta tanto disto que tenho de lhe ralhar para sair do pombal".
 
No auge da Campanha, Augusto Castro passa o dia a tratar dos pombos. Na brincadeira, quando lhe perguntam porque motivo marca bem, a resposta é..."Sou pior que um trolha. Pego às sete da manhã e arreio às sete da tarde, sem ter domingos e feriados!!!".
 
OPINIÕES
Perda de praticantes
 
"Os columbófilos vão envelhecendo e desistem, não aparecendo jovens para os substituir. Também não nos podemos esquecer do mau momento económico que muitas das famílias portuguesas estão a atravessar.
 
É preciso acarinhar os jovens que vão aparecendo, dando-lhes bons pombos e deixando-os participar na vida da colectividade, nomeadamente na informática columbófila que é uma actividade do seu agrado.
 
Também é importante que os borrachos oferecidos para os leilões das colectividades sejam de boa qualidade, pois muitos deles são adquiridos por columbófilos que marcam mal e se não tiverem bons resultados a curto/médio prazo, desanimam e acabam por desistir".
 
Igualada/Barcelona
 
"Não participamos porque não faz parte do Calendário da Associação Columbófila do Distrito de Aveiro. Por outro lado, consideramos que a altura do ano também é má para quem vai a disputar os Campeonatos.
 
Pensamos que a altura ideal seria a meio da Campanha, quando os pombos estão no auge da sua capacidade atlética.
 
O Barcelona é bonito para a columbófilia pelo seu simbolismo, pois trata-se de uma Solta Nacional, no entanto encestamos dois ou três bons pombos, bem preparados, para ganhar o quê ?
 
Cabe à Federação incentivar os columbófilos e isso passa por uma melhoria substancial do valor dos prémios".