Reportagens

Rui & Paulo Rodrigues 02-08-2005

RUI & PAULO RODRIGUES

de Maceira - Leiria

 

 

Entrevista dada em 2005, a revista Portugal Columbofilo.

 

1. Como começaram a ser columbófilos e há quantos anos?

Começámos a ser columbófilos por iniciativa própria, não tendo quaisquer ascendentes que tivessem praticado este hobby. Foi no início do ano de 1983. Até aí em casa de nossos pais bem como em casa de nossos avós maternos já havia pombos, por sinal pombos-correios ou híbridos desanilhados mas que nunca nos tinham despertado qualquer atenção especial. Ouvíamos dizer que havia pombos-correio anilhados de elevado valor e capacidades mas na verdade desconhecíamos os detalhes de como se processava o desporto columbófilo organizado. Lembramo-nos de ter dado comida e água a pombos-correios anilhados que tinham pousado no telhado de nossa casa, provavelmente em concurso. Disseram-nos que eram protegidos por lei e que cumpriam uma missão. Ora um dia estávamos no Centro Popular e Recreativo de A-do-Barbas, o clube local, e ouvimos um indivíduo explicar como se processava a columbofilia desportiva, explicação que ambos ouvimos com entusiasmo. Chegados a casa o Paulo disse ao Rui que gostaria de arranjar pombos de concurso ao que este respondeu que já tivera a mesma ideia mas que iria avançar sozinho. E passados alguns dias o Rui começou a arranjar pombos e a construir o primeiro pombal, já em alvenaria e madeira, o qual foi feito por mãos próprias e com muito brio e condições para a época. O Paulo nesse ano também arranjou alguns pombos que alojou no pombal do irmão, ao lado do qual se seguiu a construção do seu próprio pombal. O Rui começou a concorrer em 1984 na Sociedade Columbófila “Asas de Maceira-Lis” e o Paulo em 1985 no mesmo local com apenas 12 pombos de entre os quais havia dois extras: o Preto: 409024/83 e a Escarumba: 312458/84. Em 1986 juntámos as mini colónias numa única e fomos concorrer para a Sociedade Columbófila de Leiria onde logo nesse ano fomos Vice-Campeões, tendo-nos sagrado Campeões nos 3 anos seguintes: 1987,1988 e 1989.

 

 

2. Em todo este trajecto têm certamente algumas histórias para contar. Querem contar-nos alguma com maior significado?

Entre tantas histórias memoráveis, há algumas que nos marcam de uma forma particular. Em 1985 tínhamos sido convidados para concorrer na Sociedade Columbófila de Leiria, para onde fomos em 1986. De início tudo bem, mas quando começámos a ganhar consecutivamente, dominando a competição com provas desportivas brilhantes, em 1989 quiseram correr connosco, tendo-nos sido enviada uma carta na véspera da campanha desportiva, informando que continuaríamos “a usufruir de todos os direitos e regalias de associados salvo do envio de pombos a concurso” e sugerindo que para tal fizéssemos a inscrição na colectividade da nossa terra ou noutra que bem nos aprouvesse. Na altura ainda tentámos aceder mas na Sociedade Columbófila Asas de Maceira-Lis diziam-nos já ser tarde para transferir o recenseamento e alegavam falta de espaço nas caixas, pelo que recorremos para a Associação Distrital para que não ficássemos sem poder concorrer nesse ano. Os dirigentes da Associação talvez por compadrio com Leiria ou falta de carácter para decidir não deram uma resolução imediata ao caso, tendo este sido remetido para a Federação. E foi-nos arranjada uma solução provisória que consistiu em enviarmos em Leiria metade dos pombos (15) em relação aos nossos adversários, o que durou até finais da campanha desportiva quando finalmente chegou a decisão da Federação informando que poderíamos concorrer em Leiria com igualdade de direitos. Mas mesmo enviando metade dos pombos nesse ano fomos Campeões e quando acabou a campanha desportiva deixámos a colectividade livre para os maus perdedores. Pensamos que da passagem por estas situações em que somos injustiçados resulta sempre um incremento da nossa força pessoal e, neste caso, da nossa força desportiva columbófila.

De referir que o envio de tal carta só poderia ser possível após o falecimento desse grande homem e exemplo de director columbófilo que foi João Caetano Filipe, bem como só foi possível após o afastamento voluntário motivado por injustiças do grande homem e director columbófilo Augusto Seixas de Oliveira Reis que desde então se tem mantido fora da nossa modalidade e que tanta falta nos tem feito, porque com homens desse calibre enquanto directores tal situação nunca teria acontecido.

 

 

3. a) Digam-nos quais as classificações mais importantes que têm conseguido ao longo destes anos e como acham que isso foi possível.

 

Descrever o nosso palmarés desportivo completo seria fastidioso pelo que nos vamos limitar a um resumo:

 

1º Troféu Internacional Asa de Cristal (Bélgica 1999) com coeficiente record.

1º Pombo Campeão Nacional Sport Meio-Fundo 2014

1º Campeonato Nacional Velocidade FPC 2010

1º Nacional de Melilla + 700 Km 2010

1º Pombo Campeão Sport Nacional Velocidade  FPC 2008

1º Campeonato Nacional de Meio-Fundo FPC  2006

1º Campeonato Nacional Velocidade " Mundo Columbofilo " 2006 

1º Campeonato Nacional de Meio-Fundo FPC 2004

1º Campeonato Nacional de Meio-Fundo FPC 2003

2º Campeonato Nacional de Meio-Fundo FPC 2013

2º Campeonato Nacional de Meio-Fundo FPC 2002

2º Campeonato Nacional de Fundo FPC 2003

2º Campeonato Nacional de Fundo FPC 1999

2º Campeonato Nacional de Fundo FPC 1998

2º Pombo Nacional de Meio Fundo FPC 2013

3º Campeonato Nacional de Meio-Fundo FPC 2010

3º Campeonato Nacional de Velocidade FPC 2001

3º Pombo Nacional Velocidade FPC 2006

3º Pombo Nacional Meio Fundo FPC 2003

4º Campeonato Nacional Velocidade FPC 2006

4º Campeonato Nacional Maratona FPC 2012

4º Pombo Nacional de Meio Fundo FPC 2013

4º Pombo Nacional Fundo FPC 2011

4º Pombo Nacional Sport Geral FPC 2009

5º Campeonato Nacional de Meio-Fundo FPC 2001

5º Pombo Nacional Sport Geral FPC 2010

5º Campeonato do Mundo de Fundo (Bélgica 1999)

6º Campeonato Nacional de Velocidade FPC 2005

6º Campeonato Nacional de Fundo FPC 2013

6º Pombo Nacional Velocidade FPC 2012

7º Campeonato Nacional de Fundo FPC 2005

7º Campeonato Nacional Fundo FPC 2012

7º Campeonato Nacional Meio Fundo FPC 2011

8º Campeonato Nacional Fundo FPC 2010

8º Pombo Nacional Meio fundo FPC 2013

8º Pombo Nacional Meio fundo FPC 2010

8º Pombo Nacional Fundo FPC 2011

8º Pombo Nacional Meio Fundo FPC 2011

8º Pombo Nacional Fundo FPC 2010

8º Pombo Sport Geral FPC 2010

 

1º Campeonato Distrital de Fundo 11 vezes (1988, 1989, 1994, 1998, 1999, 2000, 2002,2010,2011,2012)

1º Campeonato Distrital de Meio-Fundo 16 vezes sendo 8 vezes consecutivas ( 2008,2009,2010,2011,2012,2013,2014,2015)

1º Campeonato Distrital de Velocidade 6 vezes, nos ultimos anos (2008,2011,2015)

1º Campeonato Distrital Geral vários anos em que realizaram este campeonato

16 x Campeões Gerais de Sociedade dos quais os 10 últimos anos consecutivos

Dezenas de Campeonatos de Velocidade, Meio-fundo e Fundo

+ 200 Anilhas de Ouro, Prata e Bronze

+ 200 vezes 1º prémio em concursos locais (sem doublage)

+ 40 vezes 1º prémio em concursos distritais 

 

Nota: Actualizei os resultados desportivos aos dias de hoje

 

Este palmarés foi conquistado no nosso próprio pombal que se mantém no mesmo local desde o nosso início na actividade columbófila e bem no centro geográfico do distrito de Leiria.

 

 

 

 

Temos também muito orgulho nos extraordinários resultados obtidos pelos pombos que partiram do nosso pombal e seus descendentes. Neste momento podemos contar mais de duzentas colónias onde os pombos saídos do nosso pombal vieram a obter resultados de destaque, de Norte a Sul de Portugal e noutros países como Espanha, França, Bélgica, Brasil, China e Estados Unidos da América.

 

O sucesso em qualquer domínio é sempre o resultado de um conjunto de factores conjugados. No caso da columbofilia podem-se identificar três áreas de acção: as condições do pombal, a qualidade dos pombos e a assistência que lhes prestamos. E, nestes três campos de acção, se estivermos atentos, podemos ir longe.

 

3. b) Destaquem-nos os pombos que ainda têm que ajudaram por certo a conseguir esses resultados.

 

Após 32 anos de prática deste hobby muitos foram os pombos de diferentes linhagens que experimentámos, e porque dos fracos não reza a história, passamos a referir a nossa selecção. Somente o melhor nos satisfaz:

 

Symons

 

Desde 1983. Introduzidos através do grande mestre columbófilo e amigo que foi José Alexandre Marques, das Caldas da Rainha e principalmente oriundos do pombal de outro grande mestre e amigo, Manuel Bento de Almeida de Loures, o homem que introduziu os Symons em Portugal. O “Casal Feito” de Rui & Paulo era de 1983 e foi o núcleo de uma família de pombos fantásticos que daqui se disseminou a vários outros pombais com resultados extraordinários. Ainda hoje temos 2 filhos desse casal a reproduzir para além de vários outros descendentes e parentes. Pombos brilhantes em todas as distâncias cuja qualidade se transmite de forma impressionante de geração em geração e que se prestam muito bem a cruzamentos.

 

 

Tossens
Desde 1989. Adquiridos directamente a Pol Tossens de Warsage, Bélgica. Desde a década de 60 Pol Tossens foi um columbófilo da mais fina-flor, especializado em concursos de Fundo e Grande-Fundo. A linha da super-reprodutora 272/69 fez história. Ao longo dos anos 80 já acompanhávamos a par e passo os resultados da columbofilia belga. Uma admiração e simpatia por este homem simples, com poucos pombos, bem característicos e que faziam proezas no seu pombal e em todos aqueles em que eram introduzidos, foi crescendo, e um dia escrevemos-lhe a pedir se nos poderia vender 2 pombos, na altura com o intuito de cruzar com a nossa linha dos Symons. Quando tal foi possível, fomos à Bélgica buscá-los. Fomos bem sucedidos. 

Uma confiança e amizade franca foram-se desenvolvendo e, à vista dos resultados, aos primeiros outros se seguiram, sempre do melhor. Após o falecimento do nosso grande amigo, na venda total da sua colónia, viríamos a adquirir o Casal de Ouro Tossens.

 

 

Cattrysse

Desde 1989. Adquiridos inicialmente no pombal do falecido Maurits Beuselinck - Cattrysse, genro de Óscar Cattrysse.

Óscar Cattrysse com o seu irmão e sócio Gérard Cattrysse, formavam o duo Irmãos Cattrysse de Moere e na sua época foram apelidados de indiscutidos campeões mundiais. Os homens de Moere através dos seus pombos conquistaram meritoriamente um reconhecimento internacional.

Um neto do Coppi e do Herckuul deixou rasto como reprodutor no nosso pombal, cujos descendentes se têm distinguido de uma forma muito particular em provas de longa distância e ao longo de várias gerações. Ainda hoje e já com 16 anos de idade o velho Cattrysse 755/90 continua fértil. ( entrevista foi em 2006)

Mais tarde foram introduzidos com sucesso outros pombos da mesma linha, sempre com o intuito de conservar esta família magnífica.

 

 

Frédérick

 

Desde 1992. Conhecemos a família Frédérick em 1990 aquando de uma visita de ambos à Bélgica. A razão da nossa visita: após uma análise cuidada sobre quem obtinha os melhores resultados na curta e média distância ressaltava o nome de Philippe Frédérick de Retinne. Fomos bem recebidos, gostámos muito do que vimos e ficámos entusiasmados. Quisemos adquirir algo mas nesse ano não havia possibilidade. Aguardámos 2 anos. Mas logo as 2 primeiras fêmeas que trouxemos em 1992 se revelaram. Em 1993 adquirimos mais algumas pérolas reprodutoras, nomeadamente o Super Casal: Júnior De Funés 1010292/93 x Pedrada Super 1010244/93 que viriam a ser os pais de mais de 40 pombos extra a voar e a reproduzir, sendo o mais conhecido o Super 050/94. A partir daí e até hoje temos vindo a adquirir continuamente pombos a Frédérick com sucesso.

Os pombos cultivados por Philippe Frédérick, as linhas Constant Rahier, Grondelaers, Mesterom, têm dado imensas alegrias em todas as especialidades a dezenas de columbófilos em Portugal bem como em muitos outros países do Mundo.

Em 2000 em sociedade com Frédérick viríamos a adquirir a totalidade da colónia de Jean Mesterom.

 

 

Van Loon

 

Desde 1994. Conhecemos Louis Van Loon através do nosso amigo comum Staf Theeuwes, que nos recomendou. Staf trabalhava na Beyers, empresa cuja representação então iniciávamos, e a sua colónia assentava na do seu vizinho Van Loon. Trouxemos os primeiros pombos por conselho de Staf, dos casais que poucos vêm ou conhecem, e fomo-los testando calmamente. Até 2000 estes pombos eram quase ignorados em Portugal. Hoje ouve-se falar frequentemente do nome Van Loon entre nós e até há quem faça oportunismo disso.

 

Nota: Hoje ( 2015) os Van Loon estão presentes em mais de 70 % dos casais feitos.

 

 

 Van Loon 842/10 

Campeã Nacional Sport Meio Fundo 2014.

Representou Portugal nas Olimpiadas de Budapeste:

1º Cardena 427 km in 3308 pigeons
1º Berlanga 309 km in 3434 pigeons
1º Azuaga 320 km in 3175 pigeons
1º Luciana 406 km in 3410 pigeons
3° S.Bento 233 km in 3170 pigeons ***
4° Azuaga 320 km in 3076 pigeons
7° Obejuna I 341 km in 3770 pigeons
10 ° Usagre 280 km in 3714 pigeons
10° Usagre 280 km in 3029 pigeons
13° Fernan Nunez 429 km in 2932 pigeons
16° S.Bento 233 km in 3655 pigeons
16° Luciana II 317 km in 2589 pigeons
20° Usagre 280 km in 3015 pigeons
35° Azuaga 320 km in 2898 pigeons
37° Fernam Nunez 320 km in 3050 pigeons
51° Usagre 280 km in 3575 pigeons
68° Usagre III 280 km in 3427 pigeons
179° Usagre II 280 km in 3454 pigeons
208 ° Cardena II 427 km in 3178 pigeons
263° Sta. Amalia 259 km in 2521 pigeons
277° Usagre 280 km in 2696 pigeons

Resultados Distritais obtidos:

2012 + 2013 + 2014

 

 Jos Thoné

 

Desde 1994. No dia em que conhecemos pessoalmente Jos Thoné, durante uma conversa de trabalho, ofereceu-nos 2 pombos, que oferecemos por nossa vez a 2 jovens vizinhos que entretanto se iniciavam na columbofilia, o Nuno e o Cristóvão, e que por sinal viriam a ser bons reprodutores. As nossas relações de amizade com Jos foram-se estreitando ao longo do tempo.

Jos Thoné é o columbófilo belga mais premiado da actualidade. Columbófilo inteligente e vanguardista, dotado de uma perspicácia que aplica em tudo o que faz, bem patente desde a concepção dos pombais, passando pela cultura e selecção dos pombos até à preparação dos mesmos. Um homem que pensa em tudo e que se antecipa no tempo.

O poder reprodutivo das linhagens de pombos que selecciona e com que trabalha ou a forma como os acasala e faz progredir a cultura em função do fim a que se destinam revelam isso. O valor de famílias de pombos como “Poco” ou “Napoleão” é hoje mundialmente reconhecido e também no nosso pombal podemos contar com vários exemplares de Jos Thoné cujos filhos nos têm dado muita satisfação.

 

 

Flor Engels

 

Desde 1997. Filhos directos dos melhores reprodutores Engels: Den 231/86, 178/94, 584/90, Marieke, Den Argenton, etc...

 

Marcel Aelbrecht

 

Desde 2001. Filhos directos dos melhores reprodutores Aelbrecht: Marseille,Fijn Blauw, Perpignan, Bak 17, Bak 10, Cerafin, Patron 970, Miss Joice, etc

 

 

 Nota: As linhagens Engels e Aelbrecht não figuravam na entrevista inicial. Foram acrescentadas por mim uma vez que fizeram também elas a diferença nos pombais de reprodução

 

4. O sucesso que têm tido conseguido é obra de aprendizagem que tiveram com outros columbófilos ou também é fruto de pesquisa pessoal?

 

A columbofilia para nós tem sido uma aprendizagem contínua fruto de alguma pesquisa pessoal mas principalmente de muita leitura, observação, troca de ideias e experiências. Tem que se ter humildade, nunca pretender que se sabe tudo, saber ouvir com atenção porque podemos aprender muito mesmo com os mais simples. Ao longo dos anos temos lido e relido livros e outras publicações regulares em várias línguas, trocado correspondência, visitado muitos pombais em Portugal e noutros países, sobretudo na Bélgica, Holanda e Alemanha.

Os resultados em columbofilia são o reflexo daquilo que somos, pensamos e, particularmente, fazemos em cada momento. O factor sorte é a parte que não se pode controlar. Se estivermos à espera desta, temos mesmo muito poucas probabilidades de ser bem sucedidos.

A nossa prática da columbofilia traduz também uma atitude. Não emitir pareceres sobre quem ou o que não se conhece. Importante é encarar o mundo com abertura de espírito: querer sempre saber mais e ir sempre mais longe, respeitando o próximo. Ler, ver, ouvir, pensar, experimentar e concluir, voltando ao ponto de partida. Construir, melhorar, progredir cada vez mais. É preciso não ter medo de enfrentar as situações e encarar as pessoas, ter a coragem e a frontalidade necessárias.

Entendemos a columbofilia como um exercício de paciência, perseverança, equilíbrio e relatividade nos julgamentos. Já Léon Petit nos lembrava que não se levanta um alfinete com uma grua de cem toneladas. Prestar atenção aos detalhes sem esquecer o essencial. Evitemos ser exclusivistas, justificando parcial ou egoisticamente as coisas. Devemos ser realistas, abrangentes e objectivos.

Uma vez perguntámos aos pais de Philippe Frédérick, dos melhores columbófilos que já conhecemos, onde é que iam buscar tanta energia, qual a sua principal fonte de motivação, ao que me responderam que se tivermos os olhos bem abertos, um sentido de observação apurado, todos os dias podemos aprender algo com os nossos pombos, enriquecendo-nos, e isso dá-nos vontade de fazer cada vez melhor.

Organização, trabalho regular e sentido de esforço são indispensáveis para quem quer ir um pouco mais longe.

A força de vontade e a motivação ajudam muito e até permitem que se arranje mais algum tempo para o nosso hobby. Praticar a columbofilia é uma forma agradável de viver.

 

 

5. Normalmente o método usado para tratamento dos pombos dos grandes columbófilos é guardado a “sete chaves” como segredo não desvendável. Sentem-se com coragem para elucidar os mais novos com algumas “dicas” desse segredo?

 

Acreditamos não haver segredos tão valiosos assim, nem receitas miraculosas. Sustentar que os há é alimentar uma ilusão, partir dela é condição para fazer rota falsa. Como já referimos o sucesso em columbofilia só pode ser o resultado da combinação de factores relativos às condições do pombal, à qualidade dos pombos e à assistência que lhes prestamos. Em todos estes campos todos nós teremos sempre muito para melhorar. Isto pode parecer repetitivo mas não queremos enganar ninguém. Sabemos que uma boa parte dos columbófilos ainda acredita que o sucesso pode vir, por exemplo, dentro de um frasco. Seria demasiado fácil se tudo fosse assim tão simples. Nunca conhecemos um columbófilo realmente bem sucedido que não fosse um observador razoável e bastante aplicado.

Passamos então a apresentar algumas “dicas” pessoais:

 

5.1. O Pombal

 

Construir um bom pombal, prático e bem dimensionado, com boa exposição solar, seco, confortável, sem grandes oscilações térmicas, boa renovação do oxigénio e ausência de correntes de ar, reunir tudo isso pode parecer fácil mas a verdade é que não há muitos pombais realmente bons. Constant Rahier de Stockay, que era um mestre a seleccionar e a jogar pombos mas também um artista na concepção e construção (bricolage) de pombais, dizia que um bom pombal contribuía pelo menos 50% para o resultado final, o que à partida pode parecer um exagero mas que quanto a nós não andará muito longe da verdade. Pensamos que para atingir a grande forma, duradoura, um bom alojamento é indispensável. Isto não significa de modo algum a existência de luxos ou coisas supérfluas. Os pombos podem estar muito bem alojados num pombal rústico e modesto. O amigo Júlio Albuquerque, de Torres Vedras, disse-nos uma vez que os pombos até gostavam dos cantinhos e esconderijos.

O nosso pombal de voo actual fica no 1º andar e é em forma de “L “. Possui 2 alas. A ala direita tem 2,10 m de profundidade, 14 metros de comprimento com 4 divisões e está orientada a Sudoeste. A ala esquerda tem 3 m de profundidade, 21 metros de comprimento com 6 divisões e está orientada a Sudeste. Entre cada grupo de 2 pombais há um espaço que pode funcionar como recuperador. Há uma sala de espera e convívio ao meio do conjunto, no vértice das duas alas. A construção é em alvenaria com paredes exteriores em tijolo e blocos isotérmicos revestidas a contraplacado no interior. As divisões interiores são construídas em madeira. Possui um corredor frontal a todo o comprimento com cerca de 90 cm de largura, o qual é dividido do espaço reservado aos pombos por portas de correr em varão de madeira. O chão é em grelhas de madeira e o telhado tem duas águas com telha de barro e algumas telhas de vidro. As portas frontais são de correr com estrutura em alumínio e fechadas com Lexan. Os cacifos e os poleiros são de limpeza automática. Quatro pombais com 16 ninhos cada que não estão todos ocupados são destinados a viúvos adultos, dois pombais para as respectivas fêmeas, restando quatro pombais para os borrachos de ano. No rés-do-chão da ala direita temos 2 divisões para os reprodutores, uma volière e arrumos.

Desde que somos columbófilos não nos recordamos de um único ano em que não fizéssemos obras no nosso pombal, de maior ou menor vulto, e certamente que não pararemos por aqui, porque estamos sistematicamente a diagnosticar pequenas coisas que podem ser melhoradas. Ser columbófilo passa por isso.

 

 

5.2. Os Pombos

 

No que respeita à qualidade dos pombos, por muito bons que sejam, individual ou colectivamente, porque cada pombo é único, os nossos pombos nunca serão tão bons quanto gostaríamos que fossem. Quanto maior for o nível qualitativo maior é a raridade, ou seja, maus há muitos, médios há menos, bons há poucos e muito bons são raros. Há efectivamente alguns columbófilos que conseguem criar uma maior percentagem de pombos aproveitáveis do que outros mas todos criamos muitos sem valor. Quantas vezes juntamos um macho e uma fêmea que nos parecem ter todos os predicados: bem constituídos, boas origens, com provas dadas enquanto voadores, que até nos parecem feitos um para o outro e, por fim, nada. Por vezes, trocamos simplesmente a combinação do casal e acertamos em cheio na mouche. A columbofilia não é nada linear. É outro dos aspectos interessantes deste hobby. Se, por exemplo, a partir do momento em que se arranjasse um casal de pombos bons os mesmos por sua vez só reproduzissem pombos igualmente bons, então acabar-se-iam assim os pombos maus e as coisas perderiam o interesse. Em competição ganham sempre uns em função dos outros.

Temos a noção que no campo da apreciação ou reprodução do pombo-correio, podemos ter umas dicas mas jamais conseguiremos saber ou controlar muito. Isto traz-nos à memória um episódio que se passou na companhia de Staf Theeuwes durante uma visita a um pombal algures na Holanda. O Paulo recebe uma fêmea em mãos e faz a apreciação da praxe. Quando levanta a pomba à altura da cabeça, para observar a expressão e o olho, à vista desarmada, o amigo Staf bate suavemente com a ponta dos dedos na cabeça da pomba e diz, sorrindo: “-O mais importante não consegues tu ver, está aqui dentro”, referindo-se ao carácter. Só podemos concordar. Uma afirmação do que parece evidente mas que nem sempre está presente. É também com estas simples referências que se vai construindo a nossa formação columbófila.

Referindo-nos aos pombos de qualidade, verificamos que as linhagens de pombos que voam com sucesso nas diferentes especialidades são raras. Tivemos a sorte de encontrar, por exemplo, a nossa linha dos Symons que são bons simultaneamente em Velocidade, Meio-Fundo e Fundo. Essa polivalência é mais a excepção do que a regra e apesar de voarem bem de 200 a 950 km sabemos que o melhor rendimento deles é, aproximadamente, entre os 400 e os 750 Km. O mais comum é encontrarmos linhagens de bons pombos que dão rendimento até por volta dos 500 Km e outras cujo rendimento começa a ser mais notório a partir dessa distância, como é o caso da nossas linhas Tossens e Cattrysse.

Pela parte que nos cabe procuramos seleccionar pombos que aliem resistência e velocidade, nomeadamente para as longas distâncias, as nossas preferidas. Porque hoje os concursos de Fundo ganham-se com pombos rápidos. Por outro lado procuramos seleccionar pombos que já consigam voar com sucesso nos concursos de Velocidade, que brilhem no Meio-Fundo e que também aguentem à cabeça e ganhem concursos de Fundo nomeadamente os mais curtos na ordem dos 600 e tal Km, como é o caso da linha Frédérick. Em suma, pombos que não aguentem um concurso de Fundo não resistem no nosso pombal.

Também seleccionamos muito os pombos pela sua resistência natural às doenças.

O nosso principal objectivo como columbófilos é conseguir pombos cada vez mais rápidos e resistentes e cujas qualidades se transmitam facilmente de geração em geração. A reprodução de pombos de qualidade constitui para nós a essência do hobby. As prestações desportivas que vamos obtendo surgem já como resultado disso, na parte experimental. É com os concursos que podemos testar os frutos e seleccionar a reprodução para além destes nos permitirem colocar em prática uma série de conhecimentos adquiridos e fazer alguns ensaios em outras áreas como a alimentação, a recuperação, o jogo e o treino. Não guardamos pombos nos voadores que possuam limitações que quanto a nós e desde logo não lhes permitam ter hipótese de alguma vez integrar a equipa de reprodutores.

É claro que também gostamos de fazer boas prestações desportivas, receber pombos à frente de todos os outros. Isso é a prova final e compensatória de todo o nosso trabalho.

 

 

5.3. A assistência: método de jogo e alimentação

 

A assistência que prestamos aos nossos pombos é muito abrangente. Providenciar a higiene regular das instalações, controlar a criação, o jogo, o treino e a alimentação, todas estas vertentes são importantes e estão interligadas. Aqui contamos com a colaboração na nossa equipa, desde 2004, do Joaquim Santa da Costa, que tem vindo a fazer um trabalho notável.

Quanto ao nosso método de jogo, entre 1984 e 1995, durante 12 anos, praticámos exclusivamente o natural, um natural algo sofisticado que consistia em evitar a criação de borrachos. Consideramos a prática do natural como uma excelente escola de columbofilia. Ainda hoje temos saudades do jogo ao natural e acreditamos que este método pode oferecer grandes hipóteses de sucesso, mormente nas longas distâncias. Mas não se torna fácil praticar simultaneamente vários métodos e temos de fazer opções.

Desde 1996 até à presente data temos praticado a viuvez. Nos primeiros anos a viuvez clássica e actualmente a viuvez total com machos e fêmeas. Pensamos que as principais vantagens da prática da viuvez são uma disponibilidade mais constante dos pombos, nomeadamente das fêmeas, uma maior facilidade no treino e um melhor controlo sanitário conjunto. Passamos a apresentar o método da viuvez, conforme o temos vindo a praticar, resumido em 7 alíneas:

 

5.3.1. O método de jogo: uma prática simples da viuvez

 

1)      Acasalar os pombos no pombal dos machos cerca de 7 a 8 semanas antes da data prevista para a entrada no jogo da viuvez. (Por exemplo 7 semanas antes do último treino que irá ser a 1ª vez em que os machos encontram as fêmeas após o período de separação).

 

2)      Se os pombos estiverem em boa condição, cerca de 10 dias após juntar os sexos as fêmeas começam a pôr. Fixar a data de postura do 1º ovo para as primeiras fêmeas a pôr. Sobre a postura do 2º ovo destas fêmeas, que ocorre 2 dias depois da postura do 1º ovo, contar 12 dias.

 

3)      Aos 12 dias de choco separar as fêmeas e colocá-las fora do alcance dos machos. Cerca de 2 dias depois da separação das fêmeas os machos abandonam os ovos. Retirar então os ninhos com os ovos à medida que os machos os vão abandonando.

 

4)      Nos primeiros dias após o abandono dos ovos os machos chamam pela fêmea mas logo se habituam à separação e passam a repousar no cacifo dormindo a maior parte do dia. Ficam separados cerca de 2 a 3 semanas sem ver as fêmeas. Durante este período continuam a treinar de manhã e à tarde após o que são alimentados. Vão fazendo os primeiros treinos com a sociedade.

 

5)      No último treino entra-se no jogo da viuvez. Antes de os encestar dá-se o sinal: mostra-se os ninhos durante cerca de 5 minutos, após o que os machos são encestados. No regresso deste treino encontram as fêmeas à chegada e ficam com elas cerca de 15 minutos, sendo novamente separados os sexos. No caso das fêmeas que voam, estas são encestadas directamente do seu pombal a partir dos poleiros e, no caso de voar macho e fêmea do mesmo casal., fazem de preferência um treino ou concurso mais curto.

6)      O sistema descrito na alínea 5) vai-se repetindo ao longo da campanha desportiva. Para o Fundo nem sequer se dá o sinal antes da partida: mesmo os machos são encestados sem mostrar o ninho. Quanto ao tempo de permanência dos machos com as fêmeas após a chegada, este vai aumentando à medida que a época desportiva vai avançando até atingir as 2 horas no final da campanha. Se o concurso for voado com tempo duro, ou se se tratar de concursos de longa distância, após o regresso os sexos podem ficar juntos até à noite, ou mesmo até ao dia seguinte de manhã.

 

7)      Após a campanha desportiva juntam-se finalmente os sexos durante algumas semanas, criando cada casal um ou dois borrachos, após o que serão novamente separados para a época de muda.

 

 

5.3.2. Alimentação: rações, suplementos e tratamentos

 

Não descurando o teor da questão inicial, sem atribuir os resultados desportivos a segredos ou aspectos isolados mas a um conjunto de factores integrados, apresentamos alguns detalhes dos nossos sistemas pessoais de alimentação e tratamentos. Somos a favor de um espírito de abertura e do acesso à informação além de que, como representantes dos produtos que utilizamos, também temos interesse na sua divulgação, o que assumimos. É a verdade e não temos nisso qualquer problema.

 

Alimentamos exclusivamente com as rações da Beyers. Qualidade, poder germinativo e limpeza das matérias-primas; riqueza, equilíbrio e estabilidade dos lotes.

Os reprodutores e os voadores em época de criação comem o lote Reprodução Premium. Todos os pombos durante a época de muda e repouso comem o lote Muda Premium à qual e particularmente no mês de Dezembro adicionamos alguma cevada.

Os voadores em plena campanha desportiva são alimentados com Depurativa Super, Gaby Vandenabeele Premium, Sport Viuvez Premium e Wal Zoontjens Miúda, segundo o sistema que a seguir se indica.

 

 

 

 

 

Na campanha desportiva os voadores recebem duas refeições diárias no comedouro colectivo, após o voo de treino. A quantidade depende de vários factores: do porte dos pombos que se possui, do tempo de treino, do tipo de prova que se prepara, do momento em que se encontram, da temperatura, de se tratar de machos ou de fêmeas. Não pesamos a ração nem damos “fome” aos pombos. Comem entre 10 a 20 gramas por refeição no início da semana a partir de Segunda-feira e entre 20 a 30 no final da semana quando alimentamos até à saciedade, nos dias que antecedem o encestamento. Como as fêmeas “sobem” mais depressa que os machos começam a ser alimentadas de forma mais abundante com um dia de atraso em relação aos machos.

 

Quanto a suplementos alimentares, conscientes de não haver nenhum que por si só transforme um mau num bom pombo, também aqui somos muito exigentes. Apenas confiamos em laboratórios de prestígio mundialmente reconhecido, pelo que não há lugar para mezinhas e produtos fabricados na garagem ou no vão de escada. Como seres

racionais e sem superstições sempre fomos pela via científica: investigação, desenvolvimento e experiência em campo real.

Quando se nota a diferença no resultado, certamente que haverá uma explicação, mesmo que se desconheça. A nível de suplementação da alimentação apoiamo-nos muito nos produtos Beyers e Backs, dando também alguns produtos de outras marcas nomeadamente Travipharma, Brockamp. Na área das vacinas e medicamentos confiamos principalmente na qualidade e rigor do laboratório Chevita. De referir que mesmo no controlo de doenças verifica-se uma cada vez maior tendência para o recurso a produtos naturais. Temos noção que utilizamos bastantes produtos. Contudo trata-se basicamente de suplementos, fortificantes, de origem natural, que não limitam a longevidade dos pombos. Temos na nossa equipa de voadores pombos com 8 anos que continuam a dar um bom rendimento, o que não é muito comum.  

 

SUPLEMENTOS DURANTE A CAMPANHA DESPORTIVA

 

Domingo (ou dia da chegada)

- Se o concurso foi fácil, dar Electro-Dex (Glucose+Electrólitos) na água; se o concurso foi difícil, dar Glutabo+.

- À tarde: dar HQ-Oil + Digest + Magnesin na ração.

 

Segunda-feira

- Chá Puri-T ou Herba-Duif + Bio1 e Bio2 na água.

- Óleo de Alho + Resist + Superfit na ração de manhã.

- À tarde: Glut-Amin ou Amino-Star com Vi-Spu-Min na ração.

 

Terça-feira

- De manhã: Usnea Barbata + Powervit na ração.

            - À tarde: Concentrado de Limo + Levedura Especial na ração.

 

Quarta-feira

- Dar Schnupfenmittel na água de manhã e à tarde.

- À tarde: Backsi-Gen + Terra Mineral na ração.

 

Quinta-feira

- Super-Crack ou Turbovit I e II na água de bebida da manhã e da tarde.

- Dar na ração Geleia Real Beyers ou Repro-kick + Magnesin.

 

Sexta-feira

- Glucose na água (Gluco-Sport ou Glutabo+).

 (Quando apertar o calor substituir a glucose por Electro-Dex).

- Dar na ração da tarde Glut-Amin.

 

Sábado

 - Água Limpa.

 

Notas:

- Após a chegada desinfectar as narinas com Super-Anti-Slijm e os olhos com Eye-Drops.

- Dar no início da semana Calcimar, Bloco Salgado Beyers e Belvica. Colocar sempre à disposição dos pombos Grit Beyers até quinta-feira.

- Dar um banho semanal com Sais de Banho Beyers ou Backs.

- Se o encestamento tiver lugar antes de sábado (à quinta-feira), dá-se à terça-feira de manhã o Concentrado de Limo + Levedura Especial + Powervit e à tarde o Backsi-Gen + Terra Mineral na ração, à Quarta-feira dá-se a Vitamina e à Quinta-feira dá-se a glucose na água só de manhã.

 

 

Sistema Curo Trek (opcional)

Utiliza-se em todas as refeições na parte da manhã (incluindo o dia de partida e o de chegada).

Aplicação: Mistura-se uma colher de chá de Curo Leciplus por cada kg de ração e depois junta-se uma medida rasa (2 gramas) de pó Curo Trek. Esta quantidade diária é suficiente para 70 pombos.

 

 

 

PREVENTIVOS DURANTE A CAMPANHA DESPORTIVA

 

 (normalmente dados ao Domingo e à Segunda-feira com o chá)

ð 1ª SEMANA:

        

Limpeza intestinal com CHÁ DE SALGUEIRO BACKS durante 2 dias. (1colher de chá por litro de água) ou PARA-MIX (TRAVIPHARMA).

 

ð 2ª SEMANA:

        

Tratamento da tricomoníase com um dos seguintes produtos durante 2 dias:

T-K-K (BACKS); CHEVICOL+ (CHEVITA); COCCI-TRICHO-MIX ou INFECTIE-MIX  (TRAVIPHARMA).

 

ð 3ª SEMANA:

Tratamento das vias respiratórias durante pelo menos 2 dias com:

RESPIRA (REMELCO) ou Curo CVX (BACKS) ou CHEVICET-T (CHEVITA) à base de óleos etéreos (sem antibiótico)

ou, em alternativa, um dos seguintes produtos

MYCOSAN-Tccs, CHEVIMULIN-T, AVIOSAN (CHEVITA), Orni-Tricho-Mix ou MYCO-ORNI-MIX (TRAVIPHARMA).

 

NOTA: no início da época (até ao 1º concurso de Fundo que normalmente começa por volta da 6ª prova) faz-se um tratamento preventivo por semana e repete-se de 3 em 3 semanas. Depois da 6ª prova quando os concursos de Fundo começam de 2 em 2 semanas, após a chegada de Fundo trata-se sempre a tricomoníase e no fim-de-semana seguinte os problemas intestinais (Paramix) ou as vias respiratórias.

 

 

SISTEMA

- para a época de muda  -

 

 


 

ð  Domingo

Herba Beyers ou Forte-Vita Travipharma na água de bebida.

Óleo de Soja & Oregãos Backs com Pó de Urtiga ou Meister-Mix Backs na ração.

 

ð  Segunda-feira

Improver + Anti-Fungal na água de bebida.

 

ð  Terça-feira

 

Mikrobiotikum Backs na água de bebida.

Óleo de Alho Beyers com Levedura de Cerveja Beyers na ração.

 

ð  Quarta-feira

Água limpa. Backsi-Gen ou Concentrado de Limo Backs com Flôr de Enxofre Backs e Terra Mineral Backs na ração.

 

ð  Quinta-feira

Usnea Barbata Backs ou Aerosol Dr. Brockamp na água de bebida.

Setrachol Travipharma com Bioflorum Beyers ou Probac 1000 na ração.

 

 

ð  Sexta-feira

Água limpa. Glut-Amin Backs ou Amino Plus Beyers com Vi-Spu-Min Backs e Flôr de Enxofre Backs na ração.

 

ð  Sábado

Chá de 21 Plantas Backs.

Óleo Omega Plus com Z+M Backs na ração.

 

 

*  *  *  *  *  *

 

ð  Use de 2 em 2 meses no seu pombal Ar-Backs ou Chevi-Tren (Chevita) ou LW Parasites (Travipharma) para prevenir contra os parasitas externos.

 


 

ð 
 

 

Para prevenir os parasitas intestinais pode dar 2 dias por mês de Chá de Casca de Salgueiro Backs. Para não dar oportunidade aos tricomonas e aos coccídeos pode dar durante 2 dias por mês T-K-K Backs ou Chevicol+ (Chevita). Para prevenção das vias respiratórias pode dar 2 dias por mês de Respira Remelco ou Schleimfrei Backs ou Curo Cvx Backs ou Mycosan-TCCS (Chevita).

 

ð  Dê aos seus pombos um banho semanal com Sais de Banho.

 

ð  Não esqueça de colocar sempre à disposição dos seus pombos Grit, Bloco Salgado, Belvimin (Pó Mineral).

 

ð  Proteja os seus borrachos contra a Paramixovirose com a vacina Chevivac-P200 (Chevita). Após o desmame dos borrachos e em períodos críticos dar Livimun + Adenosan (Chevita).

 

 

A base dos sistemas de utilização de suplementos alimentares e preventivos conforme apresentamos é por nós seguida há 20 anos, desde 1995. Ao longo deste tempo temos vindo cautelosamente a fazer novas experiências e melhoramentos ou adaptações, mantendo-se o essencial.

Ter um sistema organizado para tratamento dos pombos ajuda-nos muito e constitui uma referência. Também durante a época de muda e para os períodos de vacinação e tratamentos anteriores e posteriores à campanha desportiva, seguimos os nossos sistemas. Ainda que as grandes inovações e progressos não apareçam todos os dias, naturalmente que consideramos tudo isto como um campo aberto, sujeito a evolução.

 

 

6. Ocorre-vos algo mais que neste momento gostassem de dizer ou transmitir aos nossos leitores?

 

Primeiro queremos agradecer a oportunidade já que após 20 anos consecutivos de sucessos desportivos esta é a primeira vez que somos abordados por uma publicação nacional. Já fomos algumas vezes reportados por publicações belgas o que nem é muito comum para colónias portuguesas. 

Felicitamo-vos publicamente pela iniciativa e coragem assumidas com o lançamento desta revista à qual desejamos uma grande prosperidade. A columbofilia precisa de instrumentos como este que a possam servir e projectar, informando e divulgando o nosso desporto de uma forma clara e objectiva, sem medos ou preconceitos.

Gostaríamos de agradecer aos leitores pela atenção dispensada, esperando ter contribuído com algo de interesse para a troca de ideias que é também a columbofilia.

À nossa família o nosso muito obrigado pela enorme compreensão e colaboração prestadas ao longo de todos estes anos e também aos nossos colaboradores.

Obrigado também a todos os nossos amigos que felizmente são muitos para os poder citar e a todos os columbófilos em geral uma boa campanha desportiva 2006