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MIRA 2008 - O PRESTÍGIO DE MIRA

 

Mira está, definitivamente, no mapa da Columbofilia Mundial.

Quem quer que seja (ou venha a ser), apenas tem (ou terá) de zelar para que algo tão dignificante quanto lucrativo para os Columbófilos portugueses não “adoeça”, tarefa bem mais fácil de levar a cabo do que foi percorrer o trilho que já ficou para trás. Nessa caminhada de doze anos foram identificados e categoricamente ultrapassados um sem número de obstáculos. Outros houveram que, tendo também ficado para trás, tiveram de ser estrategicamente contornados, pois a força da razão tem em alguns casos de “actuar de cernelha”, para consumar o acto quando enfrenta a razão da força. Erros foram também cometidos - falhas próprias de quem tem de andar à frente pisando terreno desconhecido - mas nunca repetidos. Ninguém, e muito menos nós os Columbófilos, tem motivos para se envergonhar do Columbódromo Internacional Gaspar Vilanova, e da história que nos conta como se construiu, pedra a pedra, ano após ano, uma obra com PRESTÍGIO.

Gostaria de me sentir capaz de escrever essa história. Não agora. Daqui a uns anitos, quando já tiver esquecido os episódios mais tristes. É que também tivemos disso, e de tal maneira que, não se tratando de um edifício bem alicerçado, uma ou outra vez as coisas poderiam ter ficado feias. Foi muito duro quando alguns dos nossos, mesmo sendo poucos, souberam esperar por momentos de alguma vulnerabilidade na “estrutura defensiva” e atacaram contra a própria baliza, protagonizando jogadas que nem a equipa adversária - se a houvesse – sonharia sequer treinar.  Marcaram alguns golos, mas foram obrigados a festejá-los do mesmo modo como se movimentam – na penumbra, ou na margem. Jogo, não ganharam nenhum… e como se vê ainda não estou preparado para escrever a tal história, pelo que tenho de regressar ao tema, e tentar mostrar com palavras a imagem de PRESTÍGIO que tenho dos Campeonatos de Mira.

 

Comecemos por nos lembrar de alguns dos principais parceiros da FPC:

         - Câmara Municipal de Mira;    

         - Casa dos Cereais e as marcas mundialmente conhecidas que representa;

         - Tipes

Pergunta: Porque será que não hesitam em manter o seu apoio, continuando a gastar anualmente consideráveis somas neste evento ?                                                

Tentemos agora enumerar o nome dos países que estiveram representados por pombos correio no Columbódromo ao longo destes doze anos, e imaginemos o que poderia ter sido o Mira 2008 se não existissem as restrições de âmbito veterinário de que tanto já ouvimos falar. Ai não vale imaginar … então deixemos de imaginar e consultemos a lista de pombos estrangeiros inscritos este ano.

Pergunta: O que terá levado columbófilos dos países ricos da columbofilia a inscreverem tantos pombos ?

Outra pergunta: Os chineses deram-se ao trabalho – para não falar na despesa -  de irem comprar pombos à Bélgica e Alemanha para “meterem” em Mira ?

 

Quem estiver de boa fé sabe qual é a resposta que dá para todas as perguntas anteriores.

 

Ainda assim, a sede de protagonismo tem levado muitos ao disparate, e mesmo, mesmo na moda, está agora o falar dessa coisa da gestão e dos gestores. Os bons são como em todas as profissões, sérios e capazes. Os que nunca o foram, até porque nem à Escola onde isso se aprende foram, é que dizem saber tudo. Conheço um, mas de ouvir falar dele pois nunca o vi. E vocês também. É aquele fulano da galinha dos ovos de ouro. Foi o primeiro gestor "improvisado" que julgando-se gestor, tomou a sua primeira medida de gestão, e matou a galinha.

 

Voltando ao PRESTIGIO quero apresentar-vos a pessoa a quem os Columbófilos portugueses devem muito do que hoje é Mira, e por isso, a boa imagem de que a nossa Columbofilia goza por esse Mundo fora.

 

Sereno, persistente sem ser teimoso e polivalente quando a equipa o necessita. Incansável no desempenho, amigo sempre próximo, prestável, humano, sensível. Uma pessoa com uma tremenda CLASSE. Nunca o vi meter um elogio na algibeira.  Talvez seja como ele diz: “… que o mérito é de todos, e que nada seria possível sem os columbófilos …”  Talvez seja, mas por enquanto eu acrescento : “ Quem nos dera que assim fosse.”

 

Perdoe-me Presidente JOSE TERESO esta pequena traição. Desta vez teve mesmo que ser assim. 

 

Termino aqui este tema, sem prejuízo de a ele voltar em qualquer momento. Com a referência expressa ao nome de algumas pessoas pretendi publicamente demonstrar a minha admiração pelos seus contributos à Columbofilia. Muitos outros trabalham também dia a dia para o Columbódromo Internacional Gaspar Vilanova, e por ele. Eu conheço-os e eles conhecem-me, por isso sei que não ficarão melindrados por eu ter omitido os seus nomes.

 

Luís Silva – 10-Ago-2008

 

MIRA 2008 - A SAUDE DOS ATLETAS

 

Considerei, em anterior oportunidade, a saúde dos atletas como um dos factores que decisivamente contribuíram para o sucesso dos campeonatos de Mira 2008.  Porquê ?

 

Em primeiro lugar porque havendo “desastre” nas chegadas, nunca ouviríamos alguém falar de êxito. Depois, se não estivessem em excelentes condições físicas, como teriam tantos “miúdos” voado quase quatro centenas de quilómetros, com vento contra em todo esse percurso ?

 

Mas, será justo reduzir-se tudo à palavra saúde, ou melhor será utilizar um termo mais abrangente, por exemplo  condição ?  

 

E, de onde resulta a excelente condição evidenciada pelos  borrachos no Mira 2008 ?

 

Sendo Mira o modelo que inspira todos os columbódromos já existentes em Portugal, e a grande maioria dos que existem no Mundo,  não seria descabido que a FPC tornasse público o conteúdo do “Diário de Mira”. Cumpriria ainda melhor o seu dever de ensinar, e evitaria que os seus membros e funcionários fossem vítimas de críticas injustas, ou pior ainda, de elogios envenenados. Para além disso poderia rentabilizar ainda mais o “fenómeno columbódromo”, pois, um livro com um nome assim, seria por certo um caso sério nas bancas.

 

Na falta dessa “escritura”, não posso, por motivos exponencialmente mais valiosos que a minha própria opinião, dizer muito mais do que aquilo que todos sabem, mesmo os que apenas se limitam a observar à distância:

 

            - António Estrafalhote – Tanta dedicação, lealdade, disponibilidade e espírito de sacrifício;

 

            - Dr Marc Ryon – Conhecimento, competência, actualidade, seriedade, experiência, serenidade e pragmatismo;

 

            - Dr. Joaquim Lopes -  Todos as anteriores qualidades e mais outras ainda, elevadas a uma “elevada potência”.   

 

Nestas pessoas coloco ou louros do êxito condição dos pombos.  Qualquer uma delas vos dirá que não é bem assim, que outros também contribuíram decisivamente para tal, etc. etc. etc.   e se o disserem é porque é verdade.

 

Da boca de outros “outros” ouvimos postecipadas e não encomendadas análises, cheias de regateios de alvíssaras, por antecipados tiros no escuro agora proclamadas sábias profecias. Que fui eu que alertei… que foi por eu dizer… que não foi por acaso…  em suma,  afinal, enfim, ele há cada uma… a coisa tinha pais. E, se calhar...  mães !!!

 

Sabem que mais ??? Conhecem a “Nau Catrineta” do livro Romanceiro escrito pelo Almeida Garrett ???  Se não conhecem vão ao goog…  (motor de busca) e procurem o texto original.  Substituam Catrineta por Columbofilia e, para não ser sempre eu, ponham vocês nomes nos outros personagens.

 

A seguir: O prestígio de Mira.

 

Luís Silva – 28-Jul-2008

MIRA 2008 - 1

Como em anteriores ocasiões, os reais obreiros não serão vistos a dar pulos de contentamento. Dever cumprido, nada mais que isso. Afinal foi apenas mais um êxito da Columbofilia Portuguesa, e sendo praticamente unânime que nada há apontar ao grupo de trabalho, nem sequer há necessidade de gastar tempo com a análise das críticas

 

Dizem  pois por aí que Mira 2008 foi um grande êxito.

 

Alguns deles disfarçam bem o contratempo de terem de guardar as fisgas por mais uns tempos. Não aconteceu um qualquer azar, ou apenas uma pequena coincidência, para que tudo fosse logo posto em causa, a começar pelas pessoas.

 

Reagi, em anos anteriores, à forma como alguns escreveram ou falaram sobre o que lá aconteceu, ou pensam eles que aconteceu. Aceito que me digam que às vezes fervo antes do tempo politicamente correcto, mas fico feliz por ver que, mesmo coleccionando mais alguns “inimigos de ocasião”, consegui que parassem para pensar antes de abrirem fogo.

 

Em termos operacionais considero-me elemento da 2ª linha na “montagem” do Mira 2008. Já assim fora em outras edições, pelo que, se errasse por excesso na minha avaliação qualitativa a qualquer dos Mira desde 1998, não seria para benefício do meu “retrato”. Por isso sou dos que, convictamente e sem hipocrisias, afirmam que não poderia ter sido melhor.

 

Dos vários factores que este ano se encaixaram na perfeição, destaco:

 

            - A saúde dos atletas;

            - O estado do tempo;

            - O prestígio do evento, principalmente o granjeado além fronteiras;

 

A experiência de quem mexe o complexo dossier “MIRA - Organização do Melhor Evento Columbófilo do Mundo” é a cereja em cima do bolo. Louvo-a porque dela descende a grande sensatez de aproveitar das críticas apenas o que é de aproveitar. Se tivessem aproveitado tudo, Mira já não teria Columbódromo, e no lugar do monumento que honra a memória do saudoso Gaspar, estaria outro… um candeeiro sem luz simbolizando a ilimitada capacidade que temos em nos armarmos em iluminados… ou as imagens de alguns colegas nossos, que ainda hoje se manifestam contra Mira, e então estariam lá emolduradas com a expressão EU É QUE TINHA RAZÃO por baixo, em letras tão garrafais como boçais alguns deles são.

 

Mas apraz-me ver que há quem tenha mudado o seu discurso sobre Mira.

 

Não o afirmo em tom de gozo, nem para provocar quem quer que seja. Fico contente, até mesmo feliz que algumas pessoas se tenham predisposto a analisar as coisas de forma mais cuidada, e assim verificarem que afinal não há por lá nada que mereça ser escondido. O que é verdade é que às vezes as coisas correm muito bem, outras nem tanto, e algumas vezes correm mesmo mal, sem que a competência e boa vontade de quem muito trabalha o possam impedir.  Apenas isso.

 

Voltarei para comentar na especialidade.

Luís Silva – 17-Jul-2008

 

TRABALHAR - 1

Cada vez menos, os incapazes, esperneiam cada vez mais.  

Cada vez mais amantes da arruaça, buscam o protagonismo nas plateias cada vez mais desertas.

Cada vez mais desesperados, proferem disparates cada vez menos toleráveis.

Cada vez mais são menos os que fazem o frete de os ouvir ou ler.

Na última sessão o baú dos adereços ficou nas "lonas". Os cabeçudos vieram, uns grandes e outros mais pequenos... todos feios ... Actuaram e depois deram uma passadela pelos bastidores onde cobraram ao juíz da companhia. Este manda então tudo para casa ... que por hoje já basta assim, e amanhã terá novas ideias.

... ... ...  

Imaginem só o que seria se pudessem exibir tudo aquilo que nós, os que trabalham, vemos reconhecido por quem tem o estatuto que eles nunca tiveram, não obstante o reclamarem continuamente ... ao vento.

Quantos são ??? Como se chamam, porra !?!?!? Quantas colectividades legalmente constituidas à luz da Lei (Lei que uivando dizem respeitar) construiram ou lideram ???

Era bom se estes infames e intolerantes, que muitas vezes quase conseguem passar por democratas, deixassem a Columbofilia em paz, de uma vez por todas.

Ao menos enxerguem que as ordens de "incorporação" no movimento dos sem norte, mesmo compradas com géneros, já deram o que tinham a dar. É isso mesmo !!! Estamos num país diferente de outros e diferente do que ele próprio já foi.

Na doutrina que me ensinaram quando foi altura própria, e que eu soube aprender e guardar para hoje ainda usar, relatam-se situações que por certo terão equivalência nos livros de todas as outras crenças. Essa Sabedoria condena, por exemplo,  o acto de jogar as moedas que não nos fazem falta, fazendo-as soar no prato das esmolas.

luis silva - 20/Mai/2008

... e já agora...

TOLERÂNCIA

Nenhum de nós poderá, num momento qualquer, garantir que a sua doutrina seja a que encerre a verdade; os desmentidos surgem a cada passo, as incertezas vão sendo mais fortes à medida que se penetra com maior informação e mais atenta inteligência no mundo que nos cerca; o afirmar categoricamente vai-nos parecer ao fim de certo tempo tão absurdo como o negar categoricamente;...

in DIÁRIO DE ALCESTES - Textos e Ensaios Filosóficos - AGOSTINHO DA SILVA

POMBOS JOVENS - 5

 

Vai já comprida esta intervenção sobre Pombos Jovens.

A ideia inicial era dar um pequeno puxão de orelhas a uns quantos, o máximo que a título de prémio lhes posso atribuir pelos cuidados que (não) dispensam aos seus borrachos. 

Em 2 mostrei o momento em que a negligência- para não dizer inconsciência - começa a  manifestar-se, e referi a "febre" dos primeiros treinos. Em 3 e 4 procuro apontar o melhor caminho ao "outro lado" - os achadores.

Pergunto agora !!!

Eu, proprietário de um Pombo Correio, que leva na pata uma anilha, a qual, para além de lhe conferir esse estatuto de ave protegida por lei, permite, com razoável rapidez, que eu seja identificado como seu proprietário, poderei, pura e simplesmente "marimbar-me" para o facto de um, dois, três ou mais pombos meus, andarem por aí, em parte incerta, talvez  causando contratempos a terceiros ?

E sendo avisado por escrito de que uma dessas "coisas" que me pertencem foi encontrada por determinada pessoa - que às vezes nem sequer é um columbófilo -  com nome, morada, e telefone bem expressas nesse aviso, posso dar-me ao luxo de nem sequer a contactar ?

Por ironia - ou ainda maior castigo meu - alguns dos que assim brincam com coisas sérias, são também os primeiros das filas de reivindicadores que só exigem e nada fazem. Perguntam frequentemente pelos "milhões" que alegadamente pagam, sem sequer notarem que, se atendermos ao preço que os seus bancos lhe cobram o envio de um extracto de conta, eles dão logo prejuízo no desporto que dizem praticar, quando 3 ou 4 dos seus pombos se extraviam.

À parte: desculpem este meu pragmatismo quando toca a questões financeiras,  mas passo a vida a mexer em números, e nem sempre sou bem entendido quando tento acordar os que falam enquanto sonham.  

Termino o tema deixando-vos com a minha convicção. Se os columbófilos passarem a ser responsabilizados pelos gastos administrativos resultantes da comunicação de cada pombo seu extraviado e não recuperado, tudo mudará de figura. Poderá acontecer que, em alguns casos, tais custos sejam superiores aos que resultariam da recuperação dos pombos.

Ninguém duvida, mas se ... estou nos contactos.

Cordiais saudações

luis silva - 25/Out/2007 

POMBOS JOVENS - 4

 

Um dia, num Janeiro cinco ou seis anos mais velho que aquele que aí vem, fui encontrar no meu pombal um borracho estranho. Dei com ele logo que entrei, e depressa me apercebi também que os meus pombos davam mostras de algum nervosismo. 

Procurei por algo que justificasse tal facto ... e nada. Depois lembrei-me que eu próprio achara o nosso "visitante" estranho e não apenas "mais um"  borracho extraviado.  Era de cor muito clara - um daqueles lilazes cinzentos quase brancos e sem listas - e no local não se encontrava nenhum outro com características semelhantes. Era por isso.

Ora vamos cá pegar neste "gajo", ver se está ferido, e já agora vemos também de que país ele é - disse eu para comigo. É que a cor da anilha não batia certo com o ano, e a primeira impressão foi que se tratava de um entrangeiro. Nada disso ... era um borracho vulgar, em aceitável estado físico, com penas em estado deplorável, anilhado com anilha portuguesa de alguns anos antes, e coitado, ele não tinha culpa disso nem de ser tão vulgar. Era um pombo correio, e como tal, levou de imediato com o spray dos insectos, e foi directo para o alojamento com comida e bebida. Telefonei para a FPC logo na manhã do dia seguinte, e fiquei a aguardar.

Mais de trinta dias depois, o artista já estava perfeitamente ambientado no pombal dos reprodutores, e até parecia outro. Do dono ... nada. 

E se por qualquer motivo o homem não recebeu o "postal" ? Será que tem telefone ? Tem sim senhor. Porreiro !!!

   - É o Sr. Fulano ? Como está ? É por causa do seu pombo que ficou em tal parte assim assim. Deve ter recebido um postal da federação ....

   - Olhe lá você ainda vem gozar comigo ? Então você anda a voar com o pombo há três anos e agora é que o anuncia ? Se calhar ele deu-lhe bons filhos não foi ?

   - Deve haver engano Sr. Fulano. O borracho entrou aqui no dia ...

   - BORRACHO ???? Vá dar uma volta pá ... isso é um macho rodado ...

   - Faça o favor de ver melhor porque é mesmo um borracho com 5 ou 6 penas de ninho. E não é rodado mas sim quase branco...

   - OLHE, VÁ-SE .....  - e desligou.

A expensas minhas foi este pombo despachado para a sede da Associação Distrital a que pertence o columbófilo proprietário da anilha, onde a meu pedido, foi este senhor chamado para o levantar. Vim a saber depois que ele compareceu e manteve a versão de que aquela anilha era sua mas o pombo não. Admitiu ter sido grosseiro, mas no início pensou ...  Terá ainda prometido que me iria telefonar a pedir desculpa. Não telefonou, mas isso não tem importância..

luis silva-19/Out/2007

 

 

POMBOS JOVENS - 3

 

Os Columbófilos medem-se aos palmos ... quer dizer ... só pelos resultados que alcançam ?

É quase certo que sim, para a generalidade !!!

Quantas entrevistas a Columbófilos Campeões já lemos, vimos ou ouvimos ?  Em quantas delas foi aflorada a questão dos pombos extraviados ou colocada mesmo aos entrevistados a pergunta " Que atitude adopta quando encontra um Pombo Correio que não é seu, dentro do seu pombal ? "  ?

Em muitos casos o questionado iria ficar com um dilema pela frente, e mentindo, escolheria o politicamente correcto.

Quando vierem cá a casa fazer essa entrevista -por via das dúvidas já vos aviso que entrevistas de campeão só serão concedidas cá em casa,  e em data que nesta altura ainda não podemos precisar  -  diremos:

   1- Retiramo-lo do pombal onde se encontra, verificamos o número da anilha, anotamo-lo,  e acomodamos o "atleta" em local onde possa ser alimentado convenientemente ( por norma, e à falta de melhor,  usamos um casulo no pombal de reprodução).

   2- No caso de ser pombo com alguma idade, confirmamos se não se trata afinal de um pombo cá de casa, perdido há tempo suficiente para dele não nos lembrarmos à primeira vista. Feito isso comunicamos de imediato o seu aparecimento à FPC, salvo quando se trata de pombo adulto e estamos numa fase adiantada da campanha desportiva, caso em que aguardamos para o dia seguinte e aquilatamos da evolução da sua recuperação física. Nessa altura decidimos se o vamos soltar ou se optamos pela comunicação. Quando optamos por soltar sem comunicar, tentamos dificultar-lhe o regresso, e não o aliviamos do peso do chip.

                                                     ... e depois;

   3- Nunca soltamos um borracho que se extraviou -  sobretudo se estamos nos primeiros meses da campanha desportiva - na esperança de que este encontre o caminho para casa. Se o fizermos e ele voltar a entrar no nosso pombal, vai ser um caso sério ele esquecer o "hotel". Afinal, a FPC até tem um serviço de recuperação a funcionar, porquê estar a poupar-lhes trabalho ?

   4- Pelas mesmas razões, nunca introduzimos um pombo extraviado na nossa caixa de treino, ou numa caixa ao lado da nossa caixa de treino. Por outras palavras, pombos extraviados não treinam com os nossos, nem aproveitam a viagem de ida de um treino nosso.

   5- Só em situação extrema e devidamente testemunhada soltamos um pombo já anunciado a pedido do seu dono, antes de terminar o prazo da recuperação.

   6- Quando o proprietário de um pombo comunicado argumenta com a distância para o não recuperar, perguntamos sempre por pessoas conhecidas que eventualmente passem perto e possam fazer o frete. Nunca pressionamos com o prazo, e lembramos, esgotadas todas as outras hipóteses, que existem empresas de transportes rápidos que por alguns euros podem concretizar a recuperação do pombo, entregando-o nas mãos do dono.

   7- Quando o proprietário de um pombo anunciado não dá sinal de si, ficamos tristes. De tal forma que, algumas vezes, levamos a coisa ao ponto de trocar a ordem da prioridade, e colocamos a carroça à frente. Nessas ocasiões nós mesmo telefonamos... e numa dessas  teria sido melhor não.

luis silva 09/Out/2007

 

 

POMBOS JOVENS - 2

 

Regressando ao tema  - o extravio de pombos jovens – impõe-se, desde já, estabelecer diferenças.

Pombos extraviados na zona onde me encontro não é, em termos de quantidades, a mesma coisa que no meio do nosso bonito Alentejo ou nas zonas mais populosas do nosso apetecível Algarve. Porquê ? Porque não existirão no nosso país muitos locais onde passem tantos pombos a partir de meados de Dezembro como aqui. E por aqui, quero dizer, uma meta imaginária com 20/22 Km de largura, “esticada” entre Estarreja e um ponto algures  já no concelho de Sever do Vouga.  Estaremos a falar de uma estreita faixa onde 70% dos pombos de Aveiro e quase todos os do Porto, Braga e Viana do Castelo voam nesta altura do ano. Quantos são esses pombos ??? Arrisquem um número que eu, sinceramente, nem me quero atrever.

E também quase ninguém se atreve, por estas paragens, a ter pombos soltos ao Sábado de manhã ...

Toda a gente treina !!!  É um autêntico festival de ... pombos desorientados !!! 

 

Enquanto é manhã os seus donos estão convictos que eles vão regressar. Mas, à  medida que as horas passam, (e no Inverno os dias são pequenos) as consciências vão-se manifestando:

 

-         “..... não devia ter mandado os borrachos .... já o ano passado fiz a mesma asneira...”  pensam alguns

 

-         “... se não vierem ficam na arte ... então se não os mando agora quando é que vou ter hipóteses ?.... assim os outros já ficam mais à larga no pombal...”  desabafam, para si mesmos,  outros.  

 

Tarde meia, os jovens sentem-se perdidos, e esgotados começam a aproximar-se do desconhecido. 

À noite os mais descarados já se encontram dentro dum pombal. No dia seguinte mais uns quantos perdem o medo e na Segunda Feira “encostam” os que já foram desconfiados e agora são apenas os mais debilitados.

 

Para o dono do pombal onde eles entraram, começam os trabalhos, ou talvez não ...

 

luis silva 04/Out/2007

 

 

POMBOS JOVENS - 1

 

Inúmeros são os testemunhos que já lemos ou escutamos, em que o principal assunto são os pombos jovens, os BORRACHOS.

Em Portugal, pelo menos do que conheço, é tradicional os columbófilos considerarem BORRACHOS todos os pombos desde o momento em que abandonam o ovo até ao final da campanha desportiva seguinte ao ano do seu nascimento, ou seja, quando alguns já tem mais de um ano de idade.  Do mesmo modo que dizemos "...os borrachos da 1ª postura já estão a nascer..." também dizemos mais tarde "... classifiquei na penúltima prova três borrachos tardios...".  Entre estes dois momentos aconteceram na vida do ser vivo em causa, inúmeras peripécias as quais por sistema, nós os columbófilos temos tendência para desvalorizar, ou mesmo esquecer.

Atendendo à característica das nossas instalações, o número total de efectivos que defende as cores Luis Pedro e Luis Silva tem de ser, no início da campanha,  igual ou inferior a 90.  Com esta quantidade todos os compartimentos do pombal de voo estão lotadas, logo, os reprodutores ficam quietinhos, machos de um lado e fêmeas do outro, no pombal de reprodução (situado em plano diferente e a alguns metros daquele, conforme se depreende das fotos). Apenas em meados de Maio se pensa na criação, de modo a que os primeiros a nascer tenham a idade adequada para ser transferidos já após o fim da campanha desportiva. Nessa altura a equipa voadora irá entrar também na fase de criação, deixando um compartimento vago para a primeira remessa de recém desmamados (dos reprodutores), cuja presença já não irá afectar, de nenhuma forma pensamos nós, o desempenho dos mais velhos na função que agora lhes é confiada ou autorizada.

Para nós esta é a altura do ano em que passamos mais tempo dentro e nas imediações dos pombais. Muitas vezes sem nada para fazer em concreto, só que, é diferente...

Saltemos ainda assim o que daria, como tem dado, para muitas horas de opiniões e muito saber de experiências feito:  a criação de BORRACHOS. Não me considero minimamente competente para acrescentar o que quer que seja a tudo o que de bom nos tem sido transmitido (a mim e a vocês) pelos mais experientes, ou porventura mais capazes.

Saltemos também os métodos e truques usados para minimizar os problemas da adução, até porque cá em casa eles são simples: separação dos pais logo que começam a debicar alguns grãos que colocamos dentro da tijela, e porta aberta das instalações para onde são mudados. Sabemos que muitos colegas não podem dar-se ao luxo de ter os borrachitos em liberdade. É uma pena que assim seja, pois os nossos jovens antes de aprenderem a voar já estão fartos de passear nas imediações, e até conviver com os outros habitantes não humanos cá de casa, que são ... alguns gatos. Acalmem-se porque falo de gatos que também cá nasceram, e vivem com comida à disposição, não sendo este facto impeditivo de ainda contribuirem para a ausência de ratos. E não esqueçam que vivemos na aldeia, ok ?

O que gostaríamos de partilhar convosco é mais a problemática associada ao extravio de BORRACHOS, e ao desrespeito com que a maioria de nós columbófilos trata os nossos próprios BORRACHOS extraviados. Será justo que fiquemos indispostos com terceiros quando estes, fartos conhecedores de que nós não respeitamos o que é nosso, se desleixam no cumprimento de um alegado dever para connosco ?

Desde esta altura e até ao início da próxima campanha desportiva irão extraviar-se muitos pombos jovens. É habitual e nada aponta para que este ano seja diferente.

Por eles, brevemente continuarei este tema.

luis silva