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Breve análise ao estado da Nação Columbófila 16/07/2012

 

Mais uma campanha se avizinha. Em termos de chefias nada se cumpriu do prometido. Reuniões foram muitas no entanto não houve melhoras nenhumas. Até nas classificações para os campeonatos se optou por voltar a fazer o que já foi feito. Cada vez somos menos, não por culpa directa de quem dirige mas, na sua grande maioria, pela conjectura económica. No orçamento para 2011 contínua prevista uma prova Ibérica (5.500 Euros). Lembro-me de uma passagem do plano de actividades de 2010 em que se dizia que temos que nos unir porque não era tempo de mandar homens ao mar. Lá isso é verdade mas também não era tempo de mandar pombos ao mar, como foi a prova de Minilla, só para apoiar a difícil relação entre a Real Federação Espanhola e as restantes Federações Regionais de Espanha. Ainda hoje se estima em menos de 10% de pombos chegados. Desgraçado estava o coordenador de um distrito em que isto acontecesse. Mas como foi a FPC e os pombos foram de borla, deixa andar! Em 2011 haverá mais pombos lançados ao mar.

Vamos mas é nós fazer o que ainda não foi feito, olhar pelos nossos pombos e acima de tudo olhar por nós columbófilos porque de cima nem bom vento nem bom casamento.

Nas minhas conversas habituais todos me dizem que os dirigentes da FPC estão sempre abertos a novas ideias e até as solicitam. Nos meus artigos tenho tido esse cuidado, criticando e dando ideias para contribuir para a mudança que ainda não foi feita. Mas lamentavelmente nada de novo se vislumbra ao fundo do túnel. Nem das minhas ideias nem daqueles, de Norte a Sul com quem tenho falado e que dizem que as têm transmitidos aos dirigentes da columbofilia. Com dizia um meu superior: mais vale uma ordem mal dada do que nada fazer! Com este sentimento vamos deixar de esperar que alguém resolva o que nós queremos, vamos deixar de estar num pedestal de lamentações e passar a defender os pombos e a columbofilia. Com esse intuito e como tem sido apanágio de todos os meus artigos vamos mais uma vez dar apoio ao inicio da campanha, desta vez de 2011, para que possamos minimizar acidentes ou incidentes em columbofilia, porque esta é linda de praticar, longe das festas e das viagens e sempre com amor ao pombo pelo pombo.

Assim sendo vamos analisar e interpretar as informações meteorológicas.

Os Institutos de Meteorologia Nacionais, são organismos com competência para a emissão de avisos e alertas nos seus territórios e cuja missão é assegurar às populações, actividades económicas e entidades públicas a informação meteorológica ajustada às suas necessidades através da prossecução das políticas nacionais naqueles domínios.

As previsões meteorológicas a que temos acesso são, de um modo geral, efectuadas para um “fenómeno meteorológico relevante”. Vamos supor que existem condições meteorológicas para aguaceiros e trovoadas: O meteorologista coloca no quadro da previsão esse símbolo para essa localidade. Ora todos sabemos que nas situações de instabilidade típica entre Abril e Julho esse fenómeno ocorre normalmente depois das 13 horas locais. O mesmo acontece com a previsão da temperatura máxima e temperatura mínima que ocorrem respectivamente perto das 15 e 6 horas solares. Tomemos então atenção a estes pormenores porque a hora de solta e a hora a que o pombo vai passar em determinado lugar poderá não coincidir com os fenómenos relevantes previstos. Com o vento acontece normalmente o mesmo. É habitual ventos calmos ou de um modo geral fracos ao nascer do sol e que, ao longo do dia, vão aumentando.

Quanto às previsões colocadas na Internet, oriundas de entidades não oficiais, estas estão de um modo geral desfasadas no tempo, sofrendo do mesmo “defeito”, para com as soltas de pombos-correio que as dos Institutos de meteorologia nacionais, com a agravante de que são elaboradas de forma automática sem supervisão humana nem conhecimento quer da climatologia quer da orografia do local.

Existem, no entanto “sites” profissionais que mantêm as previsões actualizadas tendo que haver alguma contrapartida monetária. Como exemplo o site do “Windguru” apresenta previsões horárias com elevado grau de fiabilidade a quem tem contrato com esta empresa.

A ligação da previsão às soltas de pombos-correio, passa necessariamente pelo conhecimento de como está o tempo (observação) e por saber como irá evoluir durante o dia (previsão).

Deste modo só com base neste conhecimento se poderá ter a certeza científica de que estão e estarão reunidas as condições para que os pombos regressem a casa. Mesmo nestas circunstâncias torna-se bastante difícil a coordenação de uma solta porque não sabendo como é que os pombos se orientam não podemos saber o que efectivamente o prejudica na sua orientação. Os elementos meteorológicos e o modo como afectam o voo, é do nosso conhecimento e mesmo assim somos, por vezes, surpreendidos com a gravidade ou a facilidade com que os pombos superam determinadas condições meteorológicas.

        Quando o trabalho de casa foi feito, ou seja: se estudou e preparou a solta acompanhando as previsões meteorológicas ao longo da semana e se criou ou minimizou as condições nefastas ao transporte dos pombos, será relativamente fácil efectuar a ordem de solta ou o cancelamento desta.

Como já se viu as previsões meteorológicas, de um modo geral, são difundidas com símbolos aos quais associamos determinadas condições meteorológicas sendo sempre o “factor relevante” (vento, chuva, trovoadas, nevoeiro etc..) que se irá verificar nesse dia, aquele que será colocado.

        Vamos supor que num determinado dia a previsão aponta para nevoeiro ou neblina matinal. Neste caso teremos que conjugar a hora da solta, o vento previsto e a temperatura máxima ou outro elemento meteorológico que seja significativo depois do fenómeno anterior para podermos efectuar a solta com segurança. Porque, por vezes, ao minimizarmos um problema estamos a entrar dentro de outro e porventura mais prejudicial. De qualquer modo nunca deve haver precipitação na ordem de solta nem soltas a pensar que “se calhar corre bem” o pensamento deverá ser consciente de que vai correr bem porque tudo fizemos para isso: estivemos atentos às previsões, vimos o evoluir do tempo e no dia e hora determinada temos consciência de que está tudo como o previsto. Em caso de dúvida há o telemóvel e um columbófilo sempre disponível na linha de voo para colaborar.

        Outro exemplo. As previsões apontam para chuva no dia da solta em Portugal continental. Durante a madrugada da solta teremos que verificar a direcção e a intensidade do vento para efectuar uma estimativa da média dos pombos e saber da hora aproximada do início da precipitação prevista para podermos conjugar com a possível hora de chegada. Porque o dar-se na previsão chuva para um determinado dia não quer dizer que esta venha a ocorrer durante a prova. A média horária de um pombo-correio de corrida sem vento é, normalmente de 70 a 80Km por hora. Se o vento é favorável aumenta a velocidade assim como se for contra a diminuirá. Como estamos na hora dos primeiros treinos particulares e colectivos quero relembrar que no período que se aproxima é habitual os nevoeiros e as inversões térmicas. Especial atenção para não se efectuarem soltas com temperaturas muito baixas e na existência de neblina ou nevoeiro, sinónimo de inversões, soltar próximo do meio-dia. Relembrar o silêncio dos pombos dentro dos cestos que é sinónimo de falta de condições de navegação. Eles devem estar a fazer barulho como se nos tivessem a dizer: soltem-nos. Se criticamos quem manda soltar os nosso pombos temos que ser nós a estimar o que é nosso e aos quais dedicamos tanto tempo e dinheiro.

Lá porque os outros não podem mandar homens ao mar mas mandam pombos, não deveremos ser nós a deitar pombos sem experiência ao desconhecido só porque estamos com a ânsia da competição entranhada no sangue.