Henrique Manuel Costa Dias

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Porque se perdem os nossos pombos: um ponto de vista. 10/04/2011

Esta é de facto uma época desportiva atípica. Na minha opinião de extremos.
Quase a totalidade dos distritos anularam duas provas em sete possíveis, e, mesmo assim verificam-se perdas consideráveis. O que se passa?
É evidente que quando as provas correm menos bem, acho eu, que ninguém fica feliz. Nem dirigentes nem columbófilos.
Nesta muito breve análise às razões, no meu entender diversas, que leva a que se percam tantos pombos, queria começar pelos critérios que são ou devem ser ponderados para se cancelarem provas. Estes critérios têm a ver com dois tipos de factores:

Factores naturais, que o homem não controla como Clima (chuva, frio, calor, nevoeiro, ventos fortes), solo e relevo, explosões solares (entre outros),
E,
Factores humanos, em que o homem é responsável e interveniente, caça furtiva, cabos de alta e baixa tensão, antenas, solta de aves de rapina provocando constantemente desequilíbrios no ecossistema, etc.

Acho mesmo que a EDP/REN, deveriam ser dos principais mecenas ou patrocinadores da columbofilia nacional por razões óbvias. No que diz respeito às aves de rapina e os chamados repovoamentos fica para outro artigo.
O que quero dizer é que cada vez mais existem obstáculos (naturais ou artificiais), no percurso que os nossos pombos fazem. O que não é nada bom e impossível de contornar.
Neste contexto, é fácil de perceber que já não existem condições ideais para os pombos, mas o importante é “minimizar os prejuízos” e procurar que as condições climatéricas sejam as melhores, mas quem espera que todos os fins de semana, durante 6 meses, tenha o clima ideal, não é realista.
Também me parece que se os pombos não regressam aos seus pombais é essencialmente por duas razões: Extravio (considero que entram na sua maioria noutro pombal), ou, Morte.
No primeiro caso, se houver desportivismo de parte a parte, recuperam-se. Já no segundo é irreversível. Não conheço nenhum estudo, mas, pela comparação de pombos comunicados e pelos milhares de pombos que todos os anos se perdem, leva-nos a pensar que a causa mais provável dos pombos não regressarem ao seu pombal é a morte. Causas?
Humanas e naturais.
Mas, não é a chuva (fraca ou forte) que mata os pombos. Já o calor, é bem diferente…
No caso do cancelamento de provas por chuva, como sabemos, e é bom não esquecer, que para os pombos, ou outro ser vivo qualquer, é bem mais mortífero o calor do que água a não ser que, por excesso de sede, aterrem sobre ela e sucumbam afogados… Resta saber, se quem decide, quando forem anunciadas temperaturas elevadas, também anulará as provas. Ainda a propósito do calor, convém referir que a prova não começa apenas quando se soltam os pombos.
Muitas interrogações e considerações se poderiam colocar acerca da realização das provas e perdas de pombos. Mas levanto mais uma questão que me parece pertinente para este fórum. É a selecção natural dos nossos pombos que nada tem a ver com soltas mal planeadas e executas. Todos concordarão que há pombos ou linhas de pombos que voam melhor com tempo “limpo” e outros com tempo mais agreste. Por isso a selecção de pombos que voam de forma diferente é também importante, e cada um sabe (ou devia), até onde pode ir…
Finalizo, mesmo sujeito a critica, com a responsabilização também dos columbófilos nesta matéria, e não apenas dos responsáveis pelas soltas. Não são os columbófilos livres de participar, ou não, nas provas quando entenderem que as condições climatéricas não são as melhores, mesmo que as respectivas Associações não as cancelem? Percebo porquê…
Deixo então uma dica para quem decide na Federação e nas Associações: Porque não considerar/regulamentar que em todos os campeonatos (Velocidade, Meio fundo e Fundo), o columbófilo possa prescindir de uma prova (que pode realizar ou não)? Todos têm uma prova menos boa, e outros poderão entender que não vale a pena arriscar. Não há sistemas perfeitos nem pessoas infalíveis, mas este pequeno pormenor poderá minimizar de alguma forma as perdas.
É a minha opinião.
Henrique Dias